capítulo 6

776 Palavras
📖 Capítulo 6: O Preço do Controle ### ♟️ POV: Ares O sol da manhã nascia entre os arranha-céus, banhando a cobertura com uma luz dourada que eu odiava. Mas o que eu odiava ainda mais era o peso do corpo adormecido de Elena contra o meu peito. Ela estava exausta. A pele alva do seu pescoço e dos seus quadris estava marcada com os meus dedos, manchas arroxeadas que gritavam a selvageria da noite anterior. Ela parecia um anjo que tinha sido arrastado direto para o meu inferno. E o pior de tudo? Eu me sentia saciado de uma forma que nunca achei possível. Não era apenas o alívio físico; era a p***a da sensação de posse. Ouvir a voz dela quebrando, entregando-se ao meu nome enquanto o vidro da janela tremia... aquilo tinha sido melhor do que qualquer droga que o submundo pudesse me oferecer. E isso me enfurecia. Afastei-me dela sem a menor delicadeza. Elena soltou um murmúrio dolorido e se encolheu nos lençóis bagunçados, mas eu já estava de pé, pegando o meu ropão de seda preta. Caminhei até o espelho do banheiro e encarei o meu próprio reflexo. O Deus Grego impecável que o mundo dos negócios conhecia parecia ligeiramente desordenado. Meus olhos cinzentos estavam focados, mas a minha mente estava um caos. Eu não podia me dar ao luxo de ter uma fraqueza. Os russos estavam esperando um deslize. O império dos Vanderbilt não foi construído com base em sentimentos, foi construído com sangue e ferro. Se Carter estivesse vivo e visse o modo como passei a noite obcecado por uma garota simples, ele riria da minha cara antes de tentar usá-la contra mim. Eu precisava consertar aquilo. Precisava lembrá-la — e lembrar a mim mesmo — de quem estava no comando. Saí do banheiro já de banho tomado, o cabelo loiro úmido penteado para trás, a expressão fria e sarcástica de volta ao lugar que pertencia. Elena estava acordando, sentando-se na cama enquanto puxava o lençol contra o peito nu, os olhos azuis ainda nublados de sono e um medo renovado quando me viu. — Bom dia, boneca — usei o meu tom mais cortante, aquele que fazia os meus subordinados tremerem. Caminhei até a ponta da cama e joguei um vestido novo, que tinha mandado Viktor providenciar, em cima das pernas dela. — Vista-se. Você tem dez minutos. — Ares... — a voz dela saiu rouca, e ela engoliu em seco, olhando para as marcas no próprio corpo. — O que vai fazer comigo agora? Vai me deixar ir? Soltei uma risada alta, um som desprovido de qualquer calor. Aproximei-me devagar, apoiando uma das mãos no colchão e me inclinando sobre ela, até que meu rosto estivesse a centímetros do seu. O cheiro dela ainda me tentava, mas mantive o olhar congelante. — Ir embora? — arqueei uma sobrancelha, o sarcasmo pingando de cada palavra. — Você realmente achou que uma noite de sexo selvagem te daria um passaporte para fora daqui? Não seja ingênua, Elena. Você viu o que não devia nos meus negócios. O que aconteceu ontem à noite foi apenas eu... cobrando o aluguel pelo quarto. Ela piscou, chocada. Vi o brilho de dor e humilhação surgir naqueles olhos azuis antes que a raiva assumisse o controle. — Você é um monstro — ela sibilou, a voz tremendo. — Sou o monstro que mantém você viva, boneca — segurei o queixo dela com força, forçando-a a sustentar o meu olhar. — Então não confunda as coisas. Você continua sendo minha prisioneira. E eu continuo saindo daquela porta para fazer o que bem entender, com quem eu quiser. Se eu decidir trazer outra mulher para cá hoje à noite, você vai ficar no seu quarto e vai aceitar. Ficou claro? Eu menti. Sabia que não queria outra mulher. Mas ver o orgulho dela se despedaçar era a única forma que eu tinha de manter a minha armadura de gelo intacta. Elena desviou o rosto, uma lágrima solitária escorrendo pela sua bochecha. Soltei o queixo dela e dei as costas, caminhando em direção à porta do quarto sem olhar para trás. — Dez minutos, Elena. Não me faça perder a paciência. Bati a porta ao sair. O meu coração batia rápido, uma adrenalina estúpida correndo nas minhas veias. Eu tinha restabelecido o controle. Tinha cravado o medo nela novamente. Mas, enquanto caminhava pelo corredor da cobertura, a queimação no meu peito dizia o contrário. Eu podia tentar mentir para o mundo e para ela, mas a verdade estava escrita nas marcas que deixei na pele daquela loira: eu estava afundando, e ela seria a minha doce ruína.
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