capítulo 18

1005 Palavras
capítulo 18 Ares...... O cheiro de umidade e ferrugem do galpão no subsolo do porto era o meu ambiente natural. O lugar era escuro, iluminado apenas por uma lâmpada amarelada pendurada por um fio descascado. No centro do recinto, amarrado a uma cadeira de ferro parafusada no chão, estava o técnico de TI da minha equipe de segurança. O sujeito tremia tanto que os dentes batiam uns contra os outros com um ruído seco. — S-senhor Vanderbilt... por favor... eles tinham a minha família... — ele soluçava, a voz embargada pelo pavor absoluto. — Eles iam matar a minha filha! Passei a mão pelo pescoço, ajustando o nó da gravata escura. Não havia raiva no meu rosto; a fúria cega que quase me fez matar o invasor no meu quarto tinha sido substituída por uma frieza cirúrgica. — Todo mundo tem uma desculpa, Miller — minha voz ressou calma, ecoando pelas paredes de concreto. — O problema é que a sua desculpa quase custou a vida da única pessoa que não pode ser tocada nesta cidade. Caminhei devagar até a mesa de ferramentas que Viktor tinha preparado no canto. Peguei um par de luvas de couro preto e as vesti, ajustando o couro nos nós dos dedos. — Eles me pagaram um milhão... — Miller continuou gaguejando, a respiração entrecortada. — Eu só passei o código da porta do quarto... eu não sabia que eles iam tentar matar ninguém! — E você achou que eles iam lá para tomar um chá com ela? — perguntei, erguendo as sobrancelhas com uma ironia perigosa. Peguei o bisturi tático sobre a mesa. O metal brilhou sob a luz fraca. — Viktor — chamei sem me virar. — Sim, chefe? — meu braço direito deu um passo à frente. — Garanta que a família dele seja escoltada em segurança para fora do país até o final da tarde. Eu sou um homem de negócios, não um selvagem. A filha dele não tem culpa de ter um pai i*****l. Miller olhou para mim com uma mescla de alívio e pavor renovado. — Obrigado... meu Deus, obrigado, senhor Vanderbilt! — Não me agradeça ainda, Miller — murmurei, aproximando-me dele e segurando sua cabeça pelos cabelos com força, forçando o pescoço dele para trás. — A sua família vive. Mas você... você foi a razão de um bastardo ter colocado as mãos no pescoço de Elena. E esse erro só se paga com sangue. O grito dele cortou a noite no galpão, mas antes do amanhecer, o problema já tinha sido apagado da existência. Elena....... Passei o dia caminhando pela cobertura de Ares. Desta vez, sem correntes, sem a porta trancada, mas a gaiola continuava lá — mais invisível, porém infinitamente mais forte. As janelas de vidro do chão ao teto continuavam com as cortinas blackout fechadas, cobrindo o horizonte de Nova York. A casa era um palácio de mármore e silêncio. Fui até o escritório dele. A mesa de mogno nobre estava impecável, exceto por uma pasta de couro preta deixada sobre a madeira. A curiosidade e a necessidade de controle me fizeram aproximar. Abri a pasta. Dentro, havia relatórios detalhados, mas não eram sobre armas ou carregamentos de contrabando. Eram fotos. Minhas fotos. Havia imagens minhas saindo do prédio de apartamentos antigo, fotos minhas trabalhando na limpeza da *Vanderbilt Enterprises*, e até fotos recentes do meu rosto, tiradas à distância enquanto eu estava na janela do meu antigo quarto de cativeiro. Mas o que fez meu coração parar foi o documento no fundo da pasta: uma conta bancária em meu nome, com um fundo de emergência milionário, e a quitação integral de todo o tratamento médico e cirurgia cardíaca da minha mãe no interior. Minhas mãos começaram a tremer. Tudo já tinha sido pago. As melhores clínicas do país já estavam cuidando dela, e a dívida que me mantinha acordada todas as noites simplesmente não existia mais. *Ele fez isso...* Ares não apenas me trancou; ele destruiu a minha vida antiga e reconstruiu cada pedaço dela ao redor dele. Ele tirou todas as minhas amarras com o mundo lá fora para que a minha única dependência fosse *ele*. A porta da frente da cobertura se abriu. Fechei a pasta rapidamente e saí do escritório, o coração martelando contra as costelas. Vi Ares cruzar o corredor. Ele tinha tirado o paletó e carregava o casaco no braço. As mangas da camisa branca estavam dobradas, e ele cheirava a sabonete caro, mas havia algo na postura dele que gritava que a justiça do seu mundo tinha acabado de ser feita. Nossos olhares se cruzaram no meio da sala. — Você mexeu nas minhas coisas, boneca? — ele perguntou, o tom baixo, perspicaz, notando a minha agitação a metros de distância. — Por que você pagou o hospital da minha mãe? — perguntei, a voz trêmula, decidindo confrontá-lo de frente. — Por que você limpou as minhas dívidas? Ares caminhou devagar na minha direção. Ele jogou o casaco no sofá e parou a centímetros de mim. O olhar cinzento dele desceu para o meu pescoço, inspecionando as marcas roxas que já começavam a clarear, antes de voltar para os meus olhos. — Porque eu não quero que nada do mundo lá fora tenha poder sobre você, Elena — ele disse, a voz aveludada e firme. — Sua mãe está segura. As suas contas estão pagas. Você não deve nada a ninguém. — A não ser a você — completei, sentindo um nó na garganta. Ares deu um sorriso de canto, um vislumbre do Deus Grego frio e possessivo que me dominou desde o primeiro dia, mas com algo sombrio e devotado no olhar. — Não é uma dívida, Elena. É uma troca — ele segurou meu rosto com uma das mãos, o polegar roçando meu lábio inferior. — Eu cuido do seu mundo. E em troca... você cuida do meu monstro. A teia do Ares está completamente fechada ao redor dela, tirando qualquer motivo que ela tenha para ir embora além do medo!
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