Momentos

1364 Palavras

A missa terminou como sempre termina: com o último cântico ecoando alto, com o cheiro de incenso ainda suspenso no ar e com aquela sensação estranha de dever cumprido misturada a algo que eu nunca sabia explicar direito. Fiz o sinal da cruz, dei a bênção final e permaneci alguns segundos parado, observando as pessoas se levantarem, se cumprimentarem, irem embora aos poucos. Meu olhar, no entanto, insistia em voltar para o fundo da igreja, para o espaço vazio onde, minutos antes, eu tinha certeza de ter visto algo que não sabia nomear. Desci do altar devagar. O chão frio sob os pés, o som conhecido das conversas baixas, tudo parecia igual — e, ainda assim, não parecia. Meus pais foram os primeiros a se aproximar, como sempre. Minha mãe abriu aquele sorriso cheio de orgulho que eu conhecia

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