Após estacionamos na casa de Ângela, eu a ajudei a descer, como sempre. Ao desejar boa noite, ela me abraçou novamente, agradecendo pelo cuidado de sempre. Ficamos ali, ainda muito próximos, como se o abraço tivesse deixado um rastro invisível no ar entre nós. Meus braços demoraram a soltar completamente os dela, e quando isso aconteceu, foi devagar demais para ser natural, rápido demais para ser coragem. Ângela ergueu o rosto primeiro. Os olhos dela encontraram os meus com uma intensidade quieta, sem pressa, sem palavras. A rua estava quase vazia, iluminada por postes antigos que lançavam uma luz amarelada sobre o asfalto, apesar de ser um condomínio sofisticado, aparentemente os ricos dali, adoravam esse cenário mais clássico. O vento leve bagunçava alguns fios do cabelo dela, e por um

