A luz da manhã entrava suave, batendo no rosto de Ana de um jeito diferente do que eu tinha visto antes. Não havia mais aquele olhar perdido, assustado. Ainda havia marcas, claro — ninguém atravessa o inferno e sai ileso —, mas havia algo novo ali. Uma espécie de calma tímida, como quem ainda não confia totalmente na paz, mas começa a aceitá-la. — Que bom que está melhor, Ana — falei, sentando devagar na cadeira ao lado da cama. — Dormiu bem? Ela assentiu. — Dormi. Pela primeira vez em muito tempo… sem medo. Aquilo me atravessou de um jeito silencioso e profundo. Fiquei alguns segundos em silêncio, só respirando, agradecendo em pensamento. Às vezes, Deus age de forma tão simples que a gente quase não percebe o milagre acontecendo. — As freiras me chamaram cedo — ela continuou. — Eu aj

