Proposta

775 Palavras

A aproximação com Ângela não aconteceu de uma vez. Não foi um estalo, nem um tropeço inevitável. Foi um processo lento, quase silencioso, como a água que vai desgastando a pedra sem fazer barulho. Ela passou a estar ainda mais presente na nossa rotina. Não porque forçava isso, mas porque naturalmente se encaixava. Chegava cedo ao restaurante, ajudava minha mãe antes mesmo de pedirem, perguntava do meu dia, da missa, das pessoas da paróquia. Às vezes ficava sentada no balcão só me observando trabalhar, com aquele olhar atento que não julgava, só… cuidava. E eu cuidava de volta. Percebi isso num detalhe bobo: quando ela esquecia de comer, eu lembrava. Quando parecia cansada, eu perguntava se estava tudo bem. Quando sorria, eu sentia uma paz absurda, quase perigosa. Numa noite específica,

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