O dia seguinte amanheceu do jeito mais comum possível. E talvez fosse exatamente isso que mais me assustava. Acordei antes do despertador, como quase sempre. O quarto ainda estava meio escuro, aquela luz fraca da manhã entrando pela fresta da cortina. Fiquei alguns minutos deitado, olhando pro teto, respirando fundo, tentando organizar a cabeça. A imagem de Ana no quarto do orfanato vinha fácil demais. O jeito que ela sorriu. O jeito que agradeceu. O peso da história dela ainda estava inteiro em mim. Mas ninguém no mundo podia saber disso. Era o meu segredo. Meu e de Deus. E do orfanato. Levantei, tomei banho, vesti a batina com o mesmo cuidado de sempre. Cada gesto automático escondia um esforço enorme pra parecer… normal. Enquanto escovava os dentes, me encarei no espelho por alguns

