Eu continuo ali, com ela entre meus braços, sentindo o corpo de Ângela tremer como se estivesse atravessando uma tempestade por dentro. O choro dela não é bonito, não é contido, não é elegante. É cru. É daquele tipo que sai do fundo do peito, que rasga a garganta, que faz o ar faltar. O tipo de choro de quem segurou dor demais por tempo demais. Passo a mão devagar pelos cabelos dela, repetindo movimentos quase automáticos, como se o meu corpo soubesse exatamente o que fazer mesmo quando a minha mente ainda está tentando organizar tudo o que ouvi. Sinto a camisa umedecer aos poucos, sinto o peso daquela dor escorrer, e não digo nada. Não agora. Algumas dores não pedem palavras, pedem presença. — Tá tudo bem… — murmuro baixo, mais para acalmar do que para convencer. — Eu tô aqui… respira c

