Reféns do Dinheiro

1082 Palavras

Ângela ainda chora quando eu finalmente quebro o silêncio. O som do choro dela ecoa naquela sala grande demais, luxuosa demais, fria demais para comportar algo tão humano. Não é um choro bonito. Não é contido. É o tipo de choro que vem do fundo do peito, daquele lugar onde a gente guarda o que não consegue resolver, o que não consegue nomear. Eu me inclino um pouco para frente, apoiando os antebraços na mesa, e falo com a voz mais calma que consigo encontrar dentro de mim. — Você não precisa viver assim — digo, com firmeza suave. — Você não está sozinha, Ângela. Ela não levanta o rosto. Apenas balança a cabeça, negativamente, enquanto as lágrimas continuam caindo. — Tem a gente — continuo. — Meus pais… o restaurante… nossa casa. Você pode ficar com a gente. Trabalhar com a gente. Vive

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