O restaurante estava cheio como quase sempre depois da missa da manhã. O cheiro de comida caseira misturado com tempero fresco, alho dourando no azeite, carne na chapa, o barulho de pratos, talheres, vozes conhecidas. Era um ambiente que sempre me trouxe conforto. Ali, eu não era só o padre Gabriel. Eu era o filho da Rosa e do Antônio, o rapaz que ajudava desde cedo, o menino que aprendeu a viver entre mesas e panelas. Ângela estava ali como se nunca tivesse saído. Avental amarrado na cintura, cabelo preso de qualquer jeito, sorriso fácil para os clientes. Minha mãe passava por ela e ajeitava alguma coisa no avental, como fazia comigo quando eu era mais novo. Meu pai conversava alto perto do caixa, rindo, fazendo piada com freguês antigo. Tudo parecia normal demais para o tamanho da conv

