Tá… respirei fundo antes mesmo de abrir a boca. Eu sabia que aquele momento ia me atravessar inteiro, como tudo na minha vida vinha atravessando nos últimos tempos. Estávamos ali, sentados naquela mesa do restaurante já fechado, as cadeiras empilhadas ao fundo, o cheiro de comida ainda no ar, aquele silêncio estranho que só existe depois de um dia cheio. Meus pais à minha frente. Ângela ao meu lado. A mão dela tão perto da minha que parecia queimar. Eu senti o coração batendo no ouvido. Não era nervosismo comum. Era decisão. — Eu… — comecei, e minha voz saiu mais baixa do que eu queria. Engoli seco. — Eu amo a Igreja. Falei isso olhando direto para os meus pais. Eles me conheciam melhor do que ninguém. Não dava pra florear, nem mentir. — Eu fui criado dentro da fé. Desde pequeno, vocês

