Sem Culpa

948 Palavras

Eu ainda estava meio anestesiado quando entrei no carro com a Ângela naquela noite, dias depois de tudo. Não era cansaço, nem medo exatamente — era como se minha vida inteira tivesse sido virada do avesso em poucas horas, e meu corpo ainda estivesse tentando entender em que lugar do mundo eu estava agora. Ela dirigia com calma, uma mão no volante, a outra apoiada na marcha. O rosto iluminado pelos postes da avenida, o cabelo solto, o silêncio confortável entre nós. Não aquele silêncio pesado de antes, cheio de culpa e negação. Era outro tipo. Um silêncio que respirava. — Confia em mim, tenho uma surpresa — ela disse de repente, sem tirar os olhos da estrada, com um sorriso pequeno no canto da boca. Eu sorri de volta. — Eu confio — respondi, e percebi o quanto aquilo era verdade. Segui

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