Saindo Juntos

1204 Palavras

Acordo no dia seguinte com aquela sensação estranha de que algo vai acontecer, mesmo quando tudo parece igual. Não é ansiedade exatamente. É mais como um fio invisível sendo puxado devagar dentro do peito. Levanto cedo, como sempre. O céu ainda está meio acinzentado, aquele tom indeciso entre noite e manhã. Me arrumo em silêncio, faço minhas orações automáticas — e percebo, com um certo incômodo, que elas saem mais da boca do que do coração. Ainda assim, insisto. Sempre insisti. Na cozinha, meus pais já estão de pé. Minha mãe mexe o café, meu pai lê algo no celular, óculos na ponta do nariz, o de sempre. — Dormiu bem? — ela pergunta. — Dormi — respondo, mesmo sem ter certeza. Tudo segue o roteiro conhecido. Missa da manhã, cumprimentos, rotina. Celebro a missa tentando manter o foco,

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