Vou Atrás

1394 Palavras

O barulho da porta ainda ecoava dentro de mim quando percebi que não estava conseguindo respirar direito. Era como se algo tivesse ficado preso no peito, uma pressão constante, incômoda, que não diminuía. Eu tentei me concentrar em guardar os últimos utensílios, em ajudar meu pai a apagar as luzes, em fingir que aquilo era só mais uma noite difícil — mas não era. Ângela tinha saído alterada. Sozinha. Chorando. E isso não me deixava em paz. Passei a mão pelo rosto, sentindo a barba áspera sob os dedos, o cansaço acumulado nos ombros, e então parei. Olhei para minha mãe, que estava em silêncio desde a saída de Ângela, mexendo em algo sobre a pia sem realmente prestar atenção no que fazia. — Mãe… — chamei, a voz mais baixa do que eu pretendia. Ela levantou os olhos devagar. O olhar del

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