O silêncio que se instalou depois das últimas palavras de Ângela não foi um silêncio comum. Era espesso, pesado, quase físico. Parecia ocupar todo o espaço da mesa, escorrer pelas paredes do restaurante já fechado, se infiltrar em cada canto daquele lugar que sempre foi sinônimo de acolhimento, risadas e amor. Minha mãe foi a primeira a se levantar por completo. Não foi um movimento brusco, mas foi firme. O tipo de firmeza que só quem passou a vida inteira cuidando, acolhendo e protegendo sabe ter quando algo ultrapassa um limite invisível, porém sagrado. Ela apoiou as mãos na mesa por um segundo, respirou fundo e então olhou diretamente para Ângela. Não havia raiva nos olhos dela — e isso, de alguma forma, tornava tudo ainda mais sério. Havia decepção. Uma decepção profunda, silenciosa,

