Ataque

1063 Palavras

Segui o restante do dia quase no automático. Saí do confessionário com passos lentos, atravessando a nave da igreja enquanto o sol da tarde entrava pelos vitrais e coloria o chão com tons quentes. Normalmente, aquela luz me trazia paz. Naquele dia, trouxe inquietação. A história da Ana não saía da minha cabeça. A imagem de uma menina de dez anos, deixada em um orfanato, esperando por alguém que nunca voltou, se misturava à minha própria história — mas com finais tão diferentes que chegavam a doer. Enquanto guardava alguns objetos da sacristia, minha mente insistia em vagar. Onde será que ela vivia hoje? Em que canto da cidade dormia? Será que tinha alguém que cuidava dela quando ficava doente? Será que comia direito? Será que, em algum momento do dia, se sentia segura? Esses pensamentos

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