Orfanato

1068 Palavras

A tarde sempre tem um silêncio diferente dentro da igreja. Não é o mesmo da madrugada, nem o recolhimento da noite. É um silêncio cansado, quase pesado, como se as paredes guardassem tudo o que foi dito ali dentro desde o amanhecer. Depois do almoço no restaurante dos meus pais, voltei para a igreja com o coração estranhamente atento, como se estivesse esperando algo — ou alguém. Caminhei pelo corredor lateral, cumprimentando algumas pessoas conhecidas, cabeças que se inclinavam em respeito, mãos que se levantavam em um aceno tímido. Meu corpo fazia aquilo no automático, como se já soubesse o caminho sem precisar da minha mente. Mas por dentro, eu estava inquieto. Desde a noite anterior, desde o sonho, algo em mim não se aquietava. Mesmo assim, respirei fundo antes de entrar no confessio

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