Voltei para o restaurante ainda com as palavras do confessionário martelando na cabeça. Cada frase parecia ecoar no fundo do meu peito enquanto eu vestia o avental, lavava as mãos, entrava automaticamente naquela rotina que sempre foi meu refúgio. O cheiro da cozinha, o som das panelas, o vai e vem dos funcionários… tudo aquilo costumava me acalmar. Naquela noite, porém, nada parecia suficiente para silenciar meus pensamentos. Ângela não deu sinal. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação. Nenhum “estou bem”, nenhum “vou me atrasar”. Nada. O celular ficou no bolso do meu jeans durante todo o começo da noite, vibrando apenas quando algum cliente fazia reserva de última hora ou quando meus pais me chamavam para resolver algo no salão. Mesmo assim, em vários momentos, eu me peguei tocando o aparel

