Voltei para o carro ainda com o cheiro do campo preso na roupa, o som das risadas das crianças ecoando na memória como algo que eu não queria perder. Dei partida devagar, sem pressa, deixando o orfanato para trás com aquela sensação estranha de gratidão misturada com inquietação. Ana estava bem, protegida, florescendo. Isso me trazia paz. Mas, ao mesmo tempo, algo dentro de mim continuava inquieto, como uma corda esticada demais, prestes a vibrar a qualquer toque. Dirigi por um tempo em silêncio, o céu começando a mudar de cor, indo do azul claro para tons mais quentes, alaranjados, depois rosados. Foi então que senti. Não foi um pensamento racional, nem uma decisão pensada. Foi uma vontade súbita, quase física. Eu precisava ir à igreja. Virei o volante quase no automático, mudando o tr

