A tarde foi passando devagar depois do almoço no restaurante. Aquele cansaço bom de trabalho feito se misturava com um peso que eu ainda não tinha conseguido nomear direito. Me despedi dos meus pais, subi para casa, tomei um banho rápido, troquei de roupa e, quase sem pensar muito, peguei a chave do carro. Eu sabia exatamente para onde estava indo. O caminho até o orfanato sempre teve algo de especial pra mim. A cidade vai ficando para trás aos poucos, o barulho diminui, os prédios dão lugar a campos abertos, árvores antigas, cercas de madeira. A estrada de chão levanta uma poeira leve que parece desacelerar o tempo. É como se aquele lugar existisse fora do mundo comum, protegido por algo maior. Enquanto dirigia, pensei em Ângela. No sorriso dela de manhã, no jeito carinhoso, na forma c

