Estranhezas

888 Palavras

A gente ainda ficou alguns minutos ali, em silêncio, tentando fingir normalidade depois daquela ligação estranha. Ângela lavava a xícara devagar demais, como se cada movimento precisasse de concentração. Eu encostei no balcão, observando, sentindo aquele contraste incômodo entre a manhã perfeita e aquela sensação esquisita que insistia em ficar. — Eu preciso ir pro restaurante — falei por fim, quebrando o silêncio. — Meus pais devem estar me esperando. Almoço de domingo sempre vira caos se eu não apareço. Ela assentiu sem me olhar de imediato. — Quer ir comigo? — perguntei, tentando soar natural. — Normalmente é assim… você ajuda no almoço, fica lá com a gente, depois a gente volta junto. Foi aí que ela parou. Literalmente parou. A mão ficou suspensa no ar por um segundo, antes de po

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