O dia seguinte amanhece cinza, como se o céu tivesse decidido acompanhar o peso que eu carrego no peito. Acordo antes do despertador, como tem acontecido com frequência. Fico alguns minutos olhando para o teto do quarto, ouvindo os sons da casa acordando aos poucos. Minha mãe na cozinha, meu pai folheando o jornal, o rádio baixo tocando alguma música antiga. Tudo normal. Normal demais para quem passou a noite inteira tentando entender verdades que não se encaixam. Levanto, me preparo em silêncio e sigo para a igreja. A missa da manhã acontece como sempre. Os bancos não estão cheios, mas também não estão vazios. Vejo rostos conhecidos, gente que me acompanha desde sempre. Cumprimento alguns com o olhar, outros com um aceno discreto. Procuro Ângela sem perceber que procuro. Meu olhar pe

