Ela me olhou com um medo que não era novo, mas que agora estava exposto, sem máscara alguma. Os olhos iam da porta para a janela, depois voltavam para mim, inquietos, como se a qualquer segundo alguém pudesse surgir dali. — Aqui… — ela disse baixo. — Aqui é seguro, não é? A pergunta doeu mais do que eu esperava. Porque não era uma curiosidade comum. Era medo aprendido. Medo de quem já foi encontrada antes. Eu me aproximei um pouco mais da cama, mantendo a voz firme, mesmo sentindo o peso de tudo o que ela carregava. — É seguro, Ana. — respondi com convicção. — Quase ninguém conhece esse lugar. Fica fora da cidade, longe das rotas normais. As freiras não comentam nada com ninguém. Aqui… aqui você está protegida. Ela respirou fundo, como se só agora o ar tivesse voltado aos pulmões. Os

