Eu fiquei parado por alguns segundos depois que ela disse o nome. Ana. O quarto parecia pequeno demais pra tudo o que aquela palavra carregava. Minha cabeça começou a girar devagar, como se alguém tivesse mexido numa engrenagem antiga, enferrujada, que agora rangia tentando voltar a funcionar. Ana. A voz dela ecoava dentro de mim, mas não como antes. Não como no confessionário. Ali, sem o véu da madeira, sem a distância imposta pela grade, sem o anonimato que eu sempre respeitei, a voz ganhava corpo, rosto, olhos. E ainda assim… como eu não reconheci? Passei a mão pelo rosto, sentindo a barba sob os dedos, tentando me ancorar em algo real. — Como… — comecei, mas precisei parar. Engoli em seco. — Como eu não reconheci sua voz? Ela me observava com uma calma estranha agora, quase triste

