A gente passou o resto daquele dia como se o mundo tivesse diminuído de tamanho e cabido inteiro dentro do apartamento dela. Eu acordei no dia seguinte com a sensação de que não precisava correr pra lugar nenhum, e isso, pra mim, sempre foi raro. Ângela estava descalça pela casa, usando uma camiseta larga minha, o cabelo preso de qualquer jeito, cantarolando uma música baixa enquanto abria as janelas. A luz da manhã entrou devagar, espalhando aquele dourado preguiçoso pelo chão da sala. — Bom dia, meu amor — ela disse, se aproximando e deixando um beijo demorado na minha boca. Não era um beijo urgente. Era daqueles que começam devagar, sem pressa, como se o tempo estivesse do nosso lado. Apoiei a mão na cintura dela, puxando-a um pouco mais pra perto, só pra sentir o corpo dela encaixar

