O restaurante seguia naquele ritmo conhecido, quase automático, mas naquele dia tudo parecia levemente diferente pra mim. Talvez fosse o sorriso que insistia em aparecer sem aviso, talvez fosse aquela sensação boa de expectativa, como quando algo importante está pra acontecer e o corpo sabe antes da cabeça. Eu estava na cozinha, ajudando minha mãe a finalizar alguns pratos, o vapor subindo das panelas, o cheiro de alho refogado misturado ao tempero do peixe que fazíamos, quando ouvi a porta da frente abrir junto de uma risada feminina que eu reconheceria em qualquer lugar. Antes mesmo de olhar, eu senti. Virei o rosto quase por instinto — e era ela. Ângela entrou no restaurante como se aquele lugar também fosse dela. Vestido leve, cabelos soltos, aquele sorriso largo que iluminava qual

