Se Impondo

884 Palavras

A manhã chegou devagar, preguiçosa, como se soubesse que ali dentro daquele quarto existia algo que não podia ser apressado. A luz suave do sol atravessava a cortina branca, desenhando faixas claras sobre a cama. O mar, lá fora, seguia no mesmo ritmo calmo da noite anterior, e o som das ondas misturava-se à respiração tranquila de Ângela ao meu lado. Eu acordei antes dela. Fiquei alguns minutos apenas observando, com o mesmo cuidado da madrugada, mas agora com o coração mais leve. Ela estava de barriga para cima, um braço jogado sobre o travesseiro, o rosto relaxado, os lábios levemente curvados como se estivesse sonhando com algo bom. Talvez comigo. Talvez com a vida que começávamos a desenhar. Aproximei-me devagar, roçando de leve os dedos pelo seu braço, depois pelo ombro, um toque

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