Quando minha mão tocou a maçaneta, o mundo pareceu prender a respiração comigo. Eu já estava pronto para sair. Pronto para aceitar que o amor, às vezes, não é suficiente. Pronto para ir embora com o coração rasgado, mas fiel àquilo que eu acreditava ser certo. Então a voz dela veio atrás de mim. — Espera, Gabriel… Não foi alta. Não foi dramática. Foi frágil. E isso me desmontou. Meu corpo parou antes mesmo que eu decidisse. Fiquei imóvel, a mão ainda na porta, o peito subindo e descendo rápido demais. Aos poucos, virei o rosto. Depois o corpo inteiro. Ângela estava de pé no meio da sala. Os olhos vermelhos, o rosto ainda molhado de lágrimas. Ela respirava fundo, como se estivesse se recompondo pedaço por pedaço, reunindo forças onde já não havia quase nenhuma. Ela passou as mãos pel

