DG NARRANDO O cheiro de pólvora ainda estava impregnado no ar quando saímos da última cobertura. Cada passo que eu dava era pesado, não só pelo corpo exausto, mas pelo peso que a guerra sempre deixa na alma. O morro estava em silêncio, quase irreconhecível depois da tempestade de tiros, explosões e medo que passamos nas últimas horas. Passei os olhos pelo terreno. Os rastros do confronto ainda estavam por toda parte: paredes marcadas por balas, entulho espalhado, algumas casas com portas arrancadas. Mas a sensação que mais dominava era de vitória. Não que fosse motivo de festa — jamais. Cada operação tinha seu preço A madrugada chegou fria, silenciosa, quebrada apenas pelo farfalhar de folhas e o som distante de passos de quem ainda vigiava o morro. Meus olhos não se fechavam completam

