BRUNA NARRANDO A claridade fria do hospital sempre me dava a mesma sensação: como se eu estivesse entrando num mundo paralelo, onde o tempo não passa do mesmo jeito. O cheiro de desinfetante, o som dos monitores apitando em ritmo constante, os passos apressados dos enfermeiros pelos corredores… tudo me lembrava que eu não estava ali por acaso, que a vida do homem que eu amava dependia daquelas paredes. Entrei no quarto devagar, como se meu corpo pesasse toneladas. Lá estava ele: o Thales, meu Thales, deitado, imóvel, cercado por fios e máquinas. O peito subia e descia devagar, ajudado pelos aparelhos. Ver aquele corpo forte, que sempre foi tão cheio de vida, tão dono de si, preso numa cama, me rasgava por dentro. Me aproximei e toquei a mão dele. Estava quente, mas inerte. Fechei os ol

