NICOLE NARRANDO Depois que desliguei a chamada de vídeo com a minha mãe, fiquei parada no meio do quarto, encarando o nada. O silêncio do apartamento parecia gritar, ecoando dentro de mim como se fosse um castigo. Eu podia ouvir o barulho do meu coração, acelerado, quase doente. Meu pai estava em coma. Essa frase não saía da minha cabeça, martelava sem parar. Não adiantava repetir pra mim mesma que ele estava vivo. O que me matava era pensar que ele podia não acordar nunca mais. Peguei o celular de novo, abri a passagem aérea no navegador. Digitei “Nova York – Rio de Janeiro” e comecei a olhar os voos. O preço não importava. A hora não importava. Eu só queria ir. Era como se meu corpo inteiro gritasse que eu precisava estar lá, que eu não ia conseguir respirar direito enquanto não esti

