PIRULITO NARRANDO Acordei com um estalo seco, aquele chiado característico que só o rádio fazia quando alguém apertava o botão. Meus olhos ainda pesados, a cabeça meio zonza da noite anterior, mas a voz que saiu do alto-falante me botou de pé na mesma hora. — Atenção, atenção… os bota tão subindo, p***a! — a voz do DG ecoou, urgente, sem espaço pra m*l-entendido. — Entraram pelo beco de baixo, já tão na ladeira! O coração disparou. Eu ainda tava deitado, a Bruna dormindo do meu lado, o corpo dela quente colado no meu. Por um segundo pensei em ignorar, só puxar ela mais pra perto e fingir que o mundo não existia. Mas eu não tinha esse luxo. No corre, qualquer descuido custava caro. Levantei rápido, o chão frio me arrancando o resto da preguiça. Vesti a calça de qualquer jeito, puxei a

