PIRULITO NARRANDO O caveirão vinha roncando, pesado, subindo a ladeira como se o morro fosse deles. Cada batida do motor parecia martelar no meu peito, misturando-se com o tamborilar do meu coração. O cheiro de pólvora, fumaça e metal queimado se infiltrava nas narinas, queimando. A cada rajada que disparava, sentia a vibração atravessando os ombros, os reflexos testados ao limite, cada músculo do meu corpo pronto pra explodir a qualquer instante. Eu sabia que aquele segundo poderia ser o último. Cada passo era cálculo entre a vida e a morte. — Mira no vidro! — gritei pros moleques, minha voz rouca, áspera, misturada com adrenalina. — Pelo menos assusta esses filho da p**a! Eles se mexiam em pânico e coragem, correndo entre barracos e muros baixos, fuzis em mãos, olhos vermelhos de raiv

