Ele me quer

1389 Palavras
E L E N A Já podendo andar, caminho pra dentro do Complexo e sou esmagada num super abraço coletivo de Pepper, Eric e Elliot. Pepper sabe o que aconteceu, mas para as crianças eu apenas precisei viajar numa emergência. O acidente ocorreu há dois dias, mas eu ainda me sinto muito exausta. É como se tivessem jogado cimento em meu cérebro. Minha mente está pesada, até falar muito é complicado. Então eu logo vou para o meu quarto tomar um banho e descansar. — Acha mesmo que seremos bons pais? Steve, que está analisando o mapa de fuga, pára e me encara esperando que eu diga mais alguma coisa. Como não digo, ele franze o cenho. — Por que não seríamos? — ele pergunta — Por que seríamos? — rebato Essa gravidez veio em péssima hora. Eu nunca — NUNCA — me imaginei mãe. Nunca me imaginei grávida e vivendo uma vida de casal. Agora, estou gerando um ser dentro de mim nas piores condições possíveis. Não tenho ninguém da família por perto, sou fugitiva do governo americano e uma super h*****a mutante. — Elena, sei que estamos vivendo uma situação desconfortável... — eu o interrompo — Desconfortável? — ergo uma sobrancelha — Steve, isso é insuportável. Eu não aguento mais. — Mas precisa aguentar mais um pouco. Por essa criança. — Eu não queria essa criança! — grito nervosa — Mas ela veio e não tem culpa de nada. Precisamos ser fortes por ela, Elena. Respiro fundo e me jogo na cadeira de chefe dele. Coloco as mãos cobrindo o rosto e sinto meu sangue ferver. Quando estou um pouco mais calma, olho para Steve e vejo o mesmo me olhando. — Eu acho que é um menino. — comento Coloco uma mão apoiada na minha barriga e me olho no espelho. Meu reflexo não aparenta nada de anormal. Ainda. Visto um conjunto de moletom e me sento na poltrona de frente para a janela, observando a área externa do Complexo. Penso no que Wanda me fez ver. Tony e Steve mortos. Meu irmão e meu filho mortos. Todos que eu conheço mortos. Mortos por minha causa. Mortos pela minha falta de atitude. Mortos graças a uma coisa muito forte que não podemos impedir. — Me espere, querida. Ouço uma voz grave e olho para os lados, procurando por alguém. Não tinha ninguém ali. Balanço a cabeça e deito na cama. É questão de minutos e eu durmo feito uma pedra. — Mãe, o que está acontecendo? — pergunto apavorada — Há alienígenas em Nova York! — Nathan grita olhando pela janela da cafeteria — Tranquem tudo! — tio Tom grita — Mãe! — choramingo — Calma, meu amor. Vai ficar tudo bem, ok? Os Vingadores vão nos proteger. — ela diz ao me abraçar S T E V E — Aqui está, senhor Grant. — a atendente sorri para mim — Obrigado, Chloe. — sorrio de volta Pego as sacolas com as compras e vou caminhando em direção ao nosso novo esconderijo temporário. Natasha está tentando conversar com Wanda e diminuir a culpa que a mesma está carregando, por ter se descontrolado. — Compras feitas. — digo pondo as sacolas na mesa — Ótimo dono de casa, Rogers. — Nat implica — Wanda, comprei geleia. — ofereço — Não, obrigada. — ela diz baixo — Será que Elena está bem? Não há notícia alguma na mídia. — Notícia r**m chega rápido. Se tivesse acontecido alguma coisa, já estaríamos sabendo. — Sam diz enquanto mexe nas sacolas — Mas não saiu notícias nem da nossa briga. — Wanda diz — Stark tem seus contatos. Acredite, garota, Elena está bem. — Nat diz abrindo um biscoito — Tem lugar pra você na nossa equipe. — digo — Eu fico melhor sozinha. Não quero causar problemas pra vocês. — ela diz — Não há problema algum. Com ou sem você, nossa situação já não é boa. — Sam dá de ombros — Mas é por minha causa que devem estar organizando uma caçada ao Capitão América. — ela diz — O Capitão América não existe mais. — afirmo T H O R As coisas ficaram bem complicadas. Precisei deter o Ragnarok, meu pai morreu, Loki está comigo, não achei nenhuma outra Jóia do Infinito e, pra piorar, estou numa nave, no meio do espaço com tudo o que sobrou do povo de Asgard. Incluindo Bruce Banner, o Incrível Hulk. — Acha que iremos demorar para chegar? — Bruce pergunta — Não sei. Sem a ponte do arco-íris a coisa fica um pouco mais complexa. — respondo pensativo — Tem certeza que aqueles humanos nos receberão bem? — Loki pergunta — Sim, tenho. Menos você, é claro. — digo — Espero que esteja tudo bem por lá. — Bruce diz pensativo — O que Tony já deve ter aprontado nesse tempo todo? — Com certeza muita m***a. — Humano ridículo. — Loki revira os olhos — Que te deu um belo sacode. — Banner ri — Detalhes. — ele dá de ombros — Estou preocupado com o que possa ter acontecido. Eles devem estar vivendo as consequências de Ultron. — Não se culpe, doutor. — coloco a mão em seu ombro — Você tinha boas intenções. Todos merecem perdão. — Isso vale pra mim também? — Loki me olha — Não mais. — O que faremos agora? — Bruce me olha — Esperamos. — digo — Eu já te contei que Stark tem uma filha? E L E N A Estou usando meu uniforme feito por Hank McCoy. Ainda se encaixa perfeitamente ao meu corpo. Ainda. — Peter Parker na linha. — Sexta-feira me avisa na minha linha particular — Passa. — confirmo — Oi, Pete! — Ah, oi, Elena! — ele diz com seu típico jeito atrapalhado — Está podendo falar? — Na verdade, sairei para uma missão daqui há alguns minutos. É algo grave? Algum super vilão? — Não, eu só ia te chamar pra ir no cinema. Você disse que curte esses programas de adolescente, então... Ah, deixa pra lá. Você é uma Vingadora, tem vinte e quatro anos, não tem tempo pra programa de moleque. — Ei, eu não sou velha, ok? As coisas só correram demais na minha vida. Olha, agora eu realmente não posso, mas que tal outra hora? — Ok, bacana. Até mais. — Até. Respiro fundo me encarando uma última vez e me ponho a caminhar pelo Complexo, encontrando meu pai e T'Challa. Eles vão para uma missão na Itália. Foram recrutados para isso. — O que a mocinha faz usando este uniforme? — meu pai pergunta quando se dá conta da minha presença — Não sei se o mocinho notou, mas fomos recrutados para uma missão. — Precisa descansar. — T'Challa diz — Eu estou bem, acredite. — dou de ombros, tento soar indiferente — Tá, ok. Não temos tempo para discutir isso. Entramos no Quinjet e, quando estamos perto de pousar, Tony nos explica a situação. — Há um terrorista nessa fábrica de químicos. — Reféns? — questiono — Sempre há. — T'Challa diz — Pelo menos uns sete no escritório e todo o pessoal na área de produção. — meu pai explica — Vamos negociar? — pergunto — Consegue neutralizar a energia elétrica da fábrica? — Minha preciosa! Fecho os olhos ao ouvir a voz grave. Abro os olhos novamente e os dois homens me olham com confusão. Me viro assim que o Quinjet pousa e desço a rampa, logo descendo pela mesma. — Venha para mim, querida. A voz parece me encantar. Vou até a beira do terraço em que aterrissamos. — Elena! — Tony grita — O que está acontecendo? — T'Challa pergunta — Eles não são dignos de você, minha preciosa. Venha até mim. Venha até o seu rei e eu farei de você, a rainha que você realmente é. Sorrio involuntariamente. Não sei o que está acontecendo, mas tenho vontade de descobrir. Então eu olho para meu pai e T'Challa na saída do Quinjet. Uma névoa me cerca e então meu pai começa a correr até mim. Sinto meus pés saírem do chão e uma sensação esquisita me preencher. — Não resista, meu amor. Sem questionar, vendo o desespero de meu pai, sorrio e fecho os olhos, me entregando à incrível sensação de estar voando.
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