E L E N A
Já podendo andar, caminho pra dentro do Complexo e sou esmagada num super abraço coletivo de Pepper, Eric e Elliot. Pepper sabe o que aconteceu, mas para as crianças eu apenas precisei viajar numa emergência.
O acidente ocorreu há dois dias, mas eu ainda me sinto muito exausta. É como se tivessem jogado cimento em meu cérebro. Minha mente está pesada, até falar muito é complicado. Então eu logo vou para o meu quarto tomar um banho e descansar.
— Acha mesmo que seremos bons pais?
Steve, que está analisando o mapa de fuga, pára e me encara esperando que eu diga mais alguma coisa. Como não digo, ele franze o cenho.
— Por que não seríamos? — ele pergunta
— Por que seríamos? — rebato
Essa gravidez veio em péssima hora. Eu nunca — NUNCA — me imaginei mãe. Nunca me imaginei grávida e vivendo uma vida de casal. Agora, estou gerando um ser dentro de mim nas piores condições possíveis. Não tenho ninguém da família por perto, sou fugitiva do governo americano e uma super h*****a mutante.
— Elena, sei que estamos vivendo uma situação desconfortável... — eu o interrompo
— Desconfortável? — ergo uma sobrancelha — Steve, isso é insuportável. Eu não aguento mais.
— Mas precisa aguentar mais um pouco. Por essa criança.
— Eu não queria essa criança! — grito nervosa
— Mas ela veio e não tem culpa de nada. Precisamos ser fortes por ela, Elena.
Respiro fundo e me jogo na cadeira de chefe dele. Coloco as mãos cobrindo o rosto e sinto meu sangue ferver.
Quando estou um pouco mais calma, olho para Steve e vejo o mesmo me olhando.
— Eu acho que é um menino. — comento
Coloco uma mão apoiada na minha barriga e me olho no espelho. Meu reflexo não aparenta nada de anormal. Ainda.
Visto um conjunto de moletom e me sento na poltrona de frente para a janela, observando a área externa do Complexo. Penso no que Wanda me fez ver. Tony e Steve mortos. Meu irmão e meu filho mortos. Todos que eu conheço mortos. Mortos por minha causa. Mortos pela minha falta de atitude. Mortos graças a uma coisa muito forte que não podemos impedir.
— Me espere, querida.
Ouço uma voz grave e olho para os lados, procurando por alguém. Não tinha ninguém ali.
Balanço a cabeça e deito na cama. É questão de minutos e eu durmo feito uma pedra.
— Mãe, o que está acontecendo? — pergunto apavorada
— Há alienígenas em Nova York! — Nathan grita olhando pela janela da cafeteria
— Tranquem tudo! — tio Tom grita
— Mãe! — choramingo
— Calma, meu amor. Vai ficar tudo bem, ok? Os Vingadores vão nos proteger. — ela diz ao me abraçar
S T E V E
— Aqui está, senhor Grant. — a atendente sorri para mim
— Obrigado, Chloe. — sorrio de volta
Pego as sacolas com as compras e vou caminhando em direção ao nosso novo esconderijo temporário. Natasha está tentando conversar com Wanda e diminuir a culpa que a mesma está carregando, por ter se descontrolado.
— Compras feitas. — digo pondo as sacolas na mesa
— Ótimo dono de casa, Rogers. — Nat implica
— Wanda, comprei geleia. — ofereço
— Não, obrigada. — ela diz baixo — Será que Elena está bem? Não há notícia alguma na mídia.
— Notícia r**m chega rápido. Se tivesse acontecido alguma coisa, já estaríamos sabendo. — Sam diz enquanto mexe nas sacolas
— Mas não saiu notícias nem da nossa briga. — Wanda diz
— Stark tem seus contatos. Acredite, garota, Elena está bem. — Nat diz abrindo um biscoito
— Tem lugar pra você na nossa equipe. — digo
— Eu fico melhor sozinha. Não quero causar problemas pra vocês. — ela diz
— Não há problema algum. Com ou sem você, nossa situação já não é boa. — Sam dá de ombros
— Mas é por minha causa que devem estar organizando uma caçada ao Capitão América. — ela diz
— O Capitão América não existe mais. — afirmo
T H O R
As coisas ficaram bem complicadas. Precisei deter o Ragnarok, meu pai morreu, Loki está comigo, não achei nenhuma outra Jóia do Infinito e, pra piorar, estou numa nave, no meio do espaço com tudo o que sobrou do povo de Asgard. Incluindo Bruce Banner, o Incrível Hulk.
— Acha que iremos demorar para chegar? — Bruce pergunta
— Não sei. Sem a ponte do arco-íris a coisa fica um pouco mais complexa. — respondo pensativo
— Tem certeza que aqueles humanos nos receberão bem? — Loki pergunta
— Sim, tenho. Menos você, é claro. — digo
— Espero que esteja tudo bem por lá. — Bruce diz pensativo — O que Tony já deve ter aprontado nesse tempo todo?
— Com certeza muita m***a.
— Humano ridículo. — Loki revira os olhos
— Que te deu um belo sacode. — Banner ri
— Detalhes. — ele dá de ombros
— Estou preocupado com o que possa ter acontecido. Eles devem estar vivendo as consequências de Ultron.
— Não se culpe, doutor. — coloco a mão em seu ombro — Você tinha boas intenções. Todos merecem perdão.
— Isso vale pra mim também? — Loki me olha
— Não mais.
— O que faremos agora? — Bruce me olha
— Esperamos. — digo — Eu já te contei que Stark tem uma filha?
E L E N A
Estou usando meu uniforme feito por Hank McCoy. Ainda se encaixa perfeitamente ao meu corpo. Ainda.
— Peter Parker na linha. — Sexta-feira me avisa na minha linha particular
— Passa. — confirmo — Oi, Pete!
— Ah, oi, Elena! — ele diz com seu típico jeito atrapalhado — Está podendo falar?
— Na verdade, sairei para uma missão daqui há alguns minutos. É algo grave? Algum super vilão?
— Não, eu só ia te chamar pra ir no cinema. Você disse que curte esses programas de adolescente, então... Ah, deixa pra lá. Você é uma Vingadora, tem vinte e quatro anos, não tem tempo pra programa de moleque.
— Ei, eu não sou velha, ok? As coisas só correram demais na minha vida. Olha, agora eu realmente não posso, mas que tal outra hora?
— Ok, bacana. Até mais.
— Até.
Respiro fundo me encarando uma última vez e me ponho a caminhar pelo Complexo, encontrando meu pai e T'Challa. Eles vão para uma missão na Itália. Foram recrutados para isso.
— O que a mocinha faz usando este uniforme? — meu pai pergunta quando se dá conta da minha presença
— Não sei se o mocinho notou, mas fomos recrutados para uma missão.
— Precisa descansar. — T'Challa diz
— Eu estou bem, acredite. — dou de ombros, tento soar indiferente
— Tá, ok. Não temos tempo para discutir isso.
Entramos no Quinjet e, quando estamos perto de pousar, Tony nos explica a situação.
— Há um terrorista nessa fábrica de químicos.
— Reféns? — questiono
— Sempre há. — T'Challa diz
— Pelo menos uns sete no escritório e todo o pessoal na área de produção. — meu pai explica
— Vamos negociar? — pergunto
— Consegue neutralizar a energia elétrica da fábrica?
— Minha preciosa!
Fecho os olhos ao ouvir a voz grave. Abro os olhos novamente e os dois homens me olham com confusão. Me viro assim que o Quinjet pousa e desço a rampa, logo descendo pela mesma.
— Venha para mim, querida.
A voz parece me encantar. Vou até a beira do terraço em que aterrissamos.
— Elena! — Tony grita
— O que está acontecendo? — T'Challa pergunta
— Eles não são dignos de você, minha preciosa. Venha até mim. Venha até o seu rei e eu farei de você, a rainha que você realmente é.
Sorrio involuntariamente. Não sei o que está acontecendo, mas tenho vontade de descobrir. Então eu olho para meu pai e T'Challa na saída do Quinjet. Uma névoa me cerca e então meu pai começa a correr até mim. Sinto meus pés saírem do chão e uma sensação esquisita me preencher.
— Não resista, meu amor.
Sem questionar, vendo o desespero de meu pai, sorrio e fecho os olhos, me entregando à incrível sensação de estar voando.