Resistência Vs Vingadores

2883 Palavras
E L E N A A manhã ainda estava parcialmente escura. Poucos raios solares insistiam em ganhar mais espaço em meio às densas nuvens que cobriam o céu. Lá estava eu, após uma insônia terrível e uma crise de abstinência, mas não tive recaída. Isso é bom. — Sabe, por um momento, achei que tivesse perdido você. A voz de Steve soa melancólica, enquanto estamos deitados e com as pernas enlaçadas. Minha cabeça descansa em seu ombro e minhas mãos estão envolvendo sua mão direita, enquanto sua mão esquerda está atrás de sua cabeça. — Sua cabeça bateu muito forte, havia muito sangue. Eu não sei como ficaria se tivesse perdido você. — Sh, mas você não perdeu. Eu estou aqui com você. — beijo seu ombro nu — Eu até pensei em levá-la comigo, mas eu não sabia a gravidade da situação. Você precisava de cuidados e eu não tinha como dar-lhe cuidados. — Eu entendo o motivo de eu ter ficado para trás. Não o julgo. Ficamos um tempo em silêncio e então ele se vira, ficando parcialmente por cima de mim. Seus olhos incrivelmente límpidos me encaram com um brilho especial. Não consigo não sorrir. — Eu já disse que te amo? — pergunta — Não. — digo rindo — Eu te amo. Respiro fundo e apóio uma mão em minha barriga e a outra no vidro da janela. Como será que Steve está? Será que Natasha e Sam ainda estão com ele? Para onde Wanda foi? — Sexta-feira, peça para Happy preparar meu carro daqui à uma hora. — Sim, senhorita Stark. Me viro e vejo meu filho deitado na cama, me olhando com olhinhos atentos, apesar do sono. Sorrio para ele e trato de esvaziar a mente, para cuidar do meu pequeno. Tomamos banho juntos e eu o arrumei com tênis, calça e uma blusa de manga com a estampa do Wolverine. Meu filho estava lindo. Tratei de vestir-me com jeans preto, botas pretas, blusa preta e jaqueta na cor vinho. Agora sim meu pai vai falar que meu gosto foi corrompido pela Viúva n***a. — Mamãe, onde vamos? — Elliot pergunta — Visitar uns amigos da mamãe. — respondo Pego meu celular e seguro na mão do meu filho, começando a caminhar para a cozinha. No sofá, Visão está sentado observando o tabuleiro de xadrez. — Bom dia, Visão. — Elliot diz sorridente — Olá, pequeno Rogers. — Visão o olha sorrindo — Elena. — me cumprimenta com um aceno de cabeça e eu solto a mão do meu filho — Bom dia, Visão. Elliot se senta na poltrona e fica balançando as pernas, enquanto eu caminho até a pia e vejo ** de café no ralo da mesma. Olho para Visão e franzo o cenho. Visão não come, né? Quem anda jogando ** de café na pia? Três anos se passaram e nada foi resolvido? Coloco pão na torradeira e preparo duas canecas de Nescau no balcão. Pego algumas rosquinhas e arrumo em um prato destinado à mim e outro prato destinado à Elliot. Não sou de comer de manhã, mas estou com fome hoje. — Não lembrava de você acordando tão cedo. A voz de Rhodes rouba minha atenção e sorrio ao vê-lo andando devagar com a ajuda de um andador e próteses feitas por meu pai. Ele se aproxima e beija minha bochecha, indo se servir de café e se sentando na outra extremidade do sofá em que Visão se encontra. — A vida muda. — respondo pegando as torradas e colocando nos pratos — Filho, dá "oi" pro tio Rhodey. — Oi. — ele sorri tímido — Não acredito. Você é o Elliot? Seu avô me falou de você ontem, mas eu não sabia que você era tão estiloso. — Rhodes diz o olhando e depois toma um gole de seu café — Vem comer, filho. — digo chamando-o e o sentando na banqueta do balcão — Come devagar, tá? — beijo sua cabeça O silêncio fica e vejo Visão voltar sua atenção ao tabuleiro de xadrez. Ele parece pensativo e eu arriscaria dizer que ele está triste. Eu sei que o cara não é humano, mas chega perto. Rhodes abre um jornal e parece atento à sua leitura. Eu mordo a torrada e, tudo o que ouço, é o barulho da minha mastigação. — Sexta-feira, entra na minha pasta e põe algo para tocar, por favor. Não aguento este silêncio. — dou o comando — Sim, senhorita Stark. — o programa responde Enquanto mastigo, ouço a melodia de Locked Of Heaven começar. Sorrio e continuo a tomar meu café da manhã. — O dia começou animado. A voz de meu pai me faz sorrir e vejo Elliot olhar ansioso para ele. Meu pai vem se aproximando com Eric montado em suas costas, fazendo-o de cavalinho. Pepper vem logo atrás, mandando Eric tomar cuidado. — Bom dia, vovô. Bom dia, vovó. Bom dia, Eric. — Elliot diz animado, balançando as perninhas — Bom dia, Lelliot. — meu irmãozinho diz e meu pai beija minha testa, logo virando de costas para que Eric pule em meu colo — Bom dia, Lena. — Bom dia, meu amor. — sorrio beijando sua bochecha e o coloco no chão quando ele me rouba uma rosquinha de chocolate — Ladrãozinho. — digo e ele corre rindo — Bom dia, garotão. — meu pai diz bagunçando os cabelos de Elliot — Tá estiloso, hein?! — Olha. — ele diz orgulhoso mostrando a estampa do Wolverine na camisa — Vovô precisa te levar pra fazer compras. — meu pai diz fazendo uma careta e indo se servir de café — Quem é que está jogando ** de café no ralo da pia? — Não fui eu! Eu fiz achocolatado. — me defendo enquanto Pepper beija minha bochecha — Bom dia, Pepps. — Bom dia. Após o café da manhã agitado, saí com Elliot mesmo sem avisar ao T'Challa. Como previsto, Happy arrumou uma cadeirinha num dos Mercedes do meu pai e eu arregalei os olhos enquanto ele, cuidadosamente, colocava meu filho no acento traseiro especial. — Cadê o meu Audi? — questiono confusa — Não dava pra colocar uma cadeirinha naquele carro. Não tem banco traseiro. — ele diz batendo a porta, após deixar meu filho seguro — Mas é o meu carro. — protesto — Não quando estiver com o pequeno. — ele diz me dando a chave da Mercedes — Dirija com cuidado. Bufo revoltada e vou batendo o pé até entrar e me sentar no banco do motorista. Ligo o rádio num volume médio e arranco em direção ao centro de Nova York. Vai demorar um pouquinho, espero que Elliot não enjoe. *** Assim que o elevador se abriu, senti Elliot segurar firme em minha mão. Ele é tímido e não estava acostumado a conviver com tanta gente. Agora, todo dia ele conhece alguém novo. Por conta da fama do avô, todos que passam por nós na rua lhe cumprimentam. A cabecinha dele deve estar um caos. Adentro ao hall de entrada do Edifício Baxter e vejo Roberta, a secretária virtual do Quarteto Fantástico sorrindo. — A senhora Richards iá atendê-los. Ao contrário de Sexta-Feira, Roberta tem um corpo. Um corpo holográfico, mas ainda sim é um corpo. Antes, eu reclamava de só ter a voz de Sexta-Feira, mas acho bem melhor que o corpo de Roberta. Seu sorriso, apesar de gentil, parece perturbador. — Obrigada, Roberta. Eu assumo daqui. Ouço a voz de Susan Storm Richards e sorrio. Minha amiga paralisa ao me ver e sorri grande. Seu olhar vai de mim para Elliot e então volta para mim. Então ela se aproxima e me abraça. — Ainda não acredito que voltou. — ela diz beijando minha bochecha e me soltando — Pra falar a verdade, nem eu. — comento rindo — Oi, quem é você? — ela diz se abaixando e olhando meu filho nos olhos — Eu sou Elliot. — o pequeno diz — Você é mais bonito ao vivo do que na televisão. — ela sorri e se levanta — Você também me viu na TV? — Ora, todo mundo viu. — Mãe, ela me viu na TV. — Elliot me olha surpreso — Muita gente nos viu, filho. — comento — Sue! — ouvimos o grito de Reed — Aqui na entrada! — ela grita de volta — Elena chegou! — Elena? Do fim do corredor, Reed surge com Valéria no colo. Ele sorri quando me vê e se aproxima. — É um prazer tê-la de volta. — ele diz — É um prazer estar de volta. — Oi, tia Elena! — Valéria diz sorrindo — Caramba, você está muito grande. Uma mocinha. — sorrio — Quem é esse, tia? — ela diz indo para o chão e olhando para meu filho — Esse é meu filho. O nome dele é Elliot. — Oi, Elliot. — ela sorri para ele, mas ele se assusta ao ver Coisa surgindo com Franklin no ombro — Não fica com medo, é só o tio Ben. — ela sorri — Eu não sabia que tinha visita. — Ben comenta rindo e pondo Franklin no chão — Tia Elena! — o pequeno grita — Olha, Franklin! — Valéria grita — Esse é o Elliot. — Ei, que tal vocês levarem Eric pra brincar? — Sue dá a ideia — Ótima ideia. — Reed apóia — Vamos brincar de heróis, Elliot? — Franklin pergunta — Eu sou o Hulk. — meu filho diz animado — Eu sou O Coisa. — Franklin grita e sai correndo, sendo seguido pela irmã e pelo meu filho — Eu sou o Pantera n***a! — Valéria grita — Ei, pára de gritar, coisinha! — Johnny surge no fim do corredor — Pantera n***a é menino. — Não te perguntei nada! — a pequena grita — Sue, precisa dar educação aos seus filhos. — ele diz — Elena! Seus olhos brilham e então ele corre para mim, pegando em minha cintura e me rodopiando pelo ar. Sorrio passando os braços por seu pescoço e beijo sua bochecha. — Quem é o pirralho correndo com os pestinhas? — ele pergunta olhando para Sue, ainda comigo em seus braços — Filho de Elena. — Reed responde — Você não viu a coletiva, ficou desinformado. — Filho de quem? Seus braços amolecem e eu caio de pé, mas me desequilibro e minha b***a vai no chão. — Johnny! — todos gritam em reprovação — Tão delicado. — resmungo enquanto Coisa me ajuda a levantar T O N Y O clima dentro do Quinjet é pesado. Elena está trajando seu antigo uniforme de Voltagem e sua perna está balançando freneticamente, fazendo o pequeno salto de sua bota bater contra o chão. O nervosismo está estampado em suas reações. O novo secretário responsável pela missão de reagrupamento dos Vingadores foi bem claro na missão. Wanda Maximoff está em Amsterdã e ela deverá ser pega o mais rápido possível. Recrutei T'Challa, Visão e Elena, mesmo com minha filha se recusando a ir. — Ei. — segurei sua mão — Vai dar tudo certo. — Ela não vai se render tão fácil. — Elena, isso é necessário. — Eu não vou lutar contra ela, pai. — ela me olha em pânico — Elena, por favor, fique comigo. — Não posso. — ela sussurra com os olhos brilhando de lágrimas e pisca freneticamente — Elena. — T'Challa a chama e eu vejo seu peito subir e descer rápido, de acordo com a rapidez de sua respiração — Elena, se concentra. Você é forte. Bem mais forte que tudo isso. Vejo T'Challa se abaixar entre as pernas dela e tomar suas mãos trêmulas de forma firme. Elena parecia perdida. Perdida em sua própria mente. É perturbador. T'Challa é o único que parece saber o que de fato está acontecendo. — Sexta-feira? — murmuro — Meu diagnóstico é de uma crise de ansiedade. — meu programa responde Respiro fundo. Eu sofri disso por um tempo, mas nada nunca foi tão forte quanto o que ela está sentindo agora. Não consigo confiar 100% no diagnóstico de Sexta-Feira. Algo dentro de mim está dizendo que há mais motivos para essa crise. Deve ser o que chamam de sexto sentido paterno. Após uma hora inteira, Elena se levanta e limpa o rosto, se mostrando revigorada. Sua postura ereta me transmite uma confiança que sei que ela não tem nesse exato momento. O Quinjet aterrissa e, juntos, vamos até as coordenadas do esconderijo de Wanda. Todos ficam em pontos estratégicos, enquanto eu saio da armadura e bato na porta do apartamento. Quando a porta se abre, uma Wanda diferente aparece. Cabelos curtos, rosto abatido. — Por favor, Wanda. Não dificulte as coisas. — peço — Stark. Meu nome sai de sua boca carregado de amargura e rancor. Então ela sai correndo e pula a janela, usando seus poderes para ir de encontro ao chão. Eu pulo da janela, sentindo a armadura me amparar e sobrevôo as ruas seguindo-a. Como o esperado, ela vai para um beco onde Elena, Visão e Pantera n***a a esperam. Quando ela vê Elena, seus olhos se arregalam. — Wanda, por favor. — minha filha pede baixo — Traidora. — Wanda diz — Você não percebe? Tony está persuadindo você. — Eu estou em perfeito equilíbrio, Wanda. Estou aqui porque é certo. — minha filha diz tentando passar firmeza, mas falha miseravelmente — Você tá se escutando? — Wanda grita com os olhos marejados — Foi pra isso que você nos deixou? Pra voltar pros braços do seu pai? — Como é que é? — vejo a fúria em minha filha e seus olhos começam a transbordar lágrimas — Eu os deixei? Vocês me deixaram! — minha filha grita aos prantos — Vocês se deixaram! — Deixamos para que você vivesse uma vida segura com Elliot. Então você volta para o vilão dessa história! Tola! — Wanda grita beirando a raiva — Wanda. — T'Challa a olha calmo — Elena não tem nada com isso, acredite. Por favor, não a machuque assim. — Não machucá-la? — ela diz irônica — Wanda. — Visão tenta — Não! Você nos traiu, Elena. Não pense que, de volta ao Complexo, você mudará alguma coisa. Se tem alguém que vai mudar lá, é você. Se é que já não mudou. — ela diz encarando minha filha — Já chega! Você vem conosco. — digo me aproximando Como num passe de mágica, um indivíduo barbudo surge entre Elena e Wanda. Demoro para acreditar no que meus olhos vêem. É Steve Rogers, meu aminimigo — e quase genro, por mais que isso me cause náuseas — completamente diferente. Sombrio. Ponho meus pés de lata no chão e abro o capacete da armadura. — Steve. — T'Challa diz em tom de repreensão — Não posso deixá-la sozinha nessa. — ele diz e dá um passo à frente, mas eu me coloco entre ele e Wanda — Eu não quero brigar com você, Rogers. — digo — Acredito. — ele usa de sarcasmo e isso me atinge com mais força que o soco que ele me dá logo depois, fazendo-me cair no chão com o maxilar latejando — Steven! — Elena grita e chama sua atenção — Não! Os dois trocam olhares cúmplices e Steve suspira derrotado. Com um simples olhar, Elena o desarma. — Se você tem algum amor pelo nosso filho, você vai fazer o possível para se redimir. — ela diz firme Ele parece lutar contra sua fera interior e, hesitante, ergue uma mão para me ajudar a levantar. Respiro fundo. — Me desculpe. Pelo bem do Elliot. — ele diz me olhando e vejo o arrependimento em seus olhos — Tudo bem, Rogers. Já vivemos coisas piores. — comento e logo cuspo um pouco de sangue — Essa tua mãozinha é mais pesada do que eu lembrava. — digo e seguro em sua mão, vendo a sombra de um sorriso em seu rosto — Você também vai cair na conversa dele? — Wanda diz enfurecida Antes mesmo de conseguir me firmar e levantar, vejo Wanda movimentar suas mãos e se direcionar à mim. Fecho o capacete da armadura, por precaução e Steve se põe na minha frente. Ele está realmente disposto a morrer por mim? Para o meu total desespero, Elena grita e se põe entre nós, abrindo sua capa mágica e brega. Mas o golpe não acerta suas costas e sim sua cabeça. Seus olhos se arregalam e ela cai de joelhos, sem foco no olhar. Então, pouco antes de sua cabeça quicar pela segunda vez no chão, Steve solta minha mão e segura minha filha nos braços. — Elena. — ele murmura com ela nos braços — Sai daqui! — T'Challa grita o empurrando — Saiam! Uma correria começa e Visão vem ajudar a socorrer minha menina. Eu saio da armadura e vejo os olhos vidrados, quase sem vida. Hipnotizados. T'Challa arrasta Steve e Wanda pra longe, enquanto grita com eles. Eu só tenho foco na minha menina. — Inchaço cerebral. — Sexta-feira me alerta — Coloque a armadura nela. Vejo a armadura enrolar minha menina e Sexta-Feira mantém o coração dela batendo. — Aguenta firme, amor. — murmuro — Aguenta firme.
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