No domingo, aproveitamos mais um pouco na cidade, fomos à praia e almoçamos em um restaurante.
Por volta das 18h voltamos para a nossa cidade. Will me deixou em casa, e assim que entrei tive um tremendo susto ao ver Philippe sentado no sofá.
- Você? - Perguntei, assustada.
- Desculpa, Steph, eu disse que você não estava, e ele não me deu ouvidos e foi entrando. - Disse dona Gesi.
- Tudo bem! E o meu pai?
- Está no quarto vendo TV.
- Ok! Muito obrigada.
- Não acha melhor eu ficar? - Encarou Philippe.
- Não, está tudo bem. - Forcei um sorriso.
Meio a contragosto a mulher foi embora. Senti o olhar de raiva de Philippe sobre mim, o que me deu muito medo, já imaginando o que aconteceria em breve. O homem se levantou e veio em minha direção, e eu fui para trás até acabar me encostando na parede. Philippe deu um t**a na parede, perto de mim e eu me assustei.
- Onde você estava? Posso saber?
- Eu… Hã… Estava viajando.
- Ah, viajando? Que legal! - Falou de forma irônica. - Posso saber onde a madame estava?
- Estava no litoral. - Respondi sem olhá-lo.
- E posso saber com quem?
- Hã… Sozinha, precisava espairecer um pouco. - Menti.
- MENTIRA! - Deu um t**a na parede, ao meu lado, o que fez eu gritar, por causa do susto.
- O que está havendo? - Escutei papai perguntar do seu quarto.
- Nada, pai. Está tudo bem. - Respondi.
Philippe me olhava com fúria enquanto eu temia seu olhar. E de repente, ele me pegou pelo pescoço e me acusou de ter viajado com Will. Ok, de certa forma eu havia viajado com ele, mas não da forma que o homem estava pensando, pois ele tinha metido na cabeça que Will é meu amante, o que era um total absurdo, já que ele era apenas meu patrão.
Philippe me levou até o meu quarto e me espancou, e eu ainda tive que me conter para não gritar, pois não queria que meu pai escutasse e ficasse preocupado.
Após a sessão de agressão, o homem ainda me forçou a ter relação com ele, com a desculpa de “eu que sou homem de verdade, e só eu sei te dar prazer, você nunca vai conhecer alguém que seja melhor de cama do que eu.” Que patético! Como ele consegue se achar tanto?
E para piorar ainda mais - se é que isso é possível - ele disse que dormiria em minha casa, pois queria me levar para o trabalho no dia seguinte, segundo ele “para o meu patrão ver que eu tenho dono”, será que ele acha que eu sou um animal de estimação para ser o meu dono? Ah, cada dia que passa, eu sinto mais raiva dele. Pelo menos dessa vez, ele havia deixado o meu rosto intacto.
(...)
No dia seguinte, acordei bem cedo e vi que Philippe já havia levantado. Levantei também, e fui procurar por ele, na esperança dele ter ido embora. Quem dera.
Assim que cheguei na cozinha vi o homem preparando o café da manhã.
- Bom dia! - Abriu um imenso sorriso, como se nada tivesse acontecido.
- O que você está fazendo aqui? - Perguntei.
- Preparando o nosso café da manhã.
- Não estou com fome.
- Ah, mas você vai comer um pouquinho comigo, né?
Olhei seriamente para o homem, e ignorando a fala dele, fui até o quarto do meu pai para vê-lo.
Papai já havia acordado e deu um leve sorriso ao me ver. Amava vê-lo sorrir.
- Bom dia! Como o senhor está? - Me aproximei da sua cama.
- Estou bem. - Tocou levemente o meu rosto. - Está tudo bem, querida?
- Aham. - Forcei um sorriso. - Daqui a pouco, a dona Gesi vai chegar para ficar com o senhor para eu ir trabalhar, ok?
- Claro, meu bem.
Dei um beijo no rosto dele e voltei para a cozinha após Philippe me chamar para tomar café. Me sentei à mesa e ele começou a falar com muita naturalidade, como se não lembrasse que havia me espancado na noite anterior, e talvez nem lembrasse, já que o agressor sempre esquece o que faz, mas a vítima jamais.
Após tomar café, tomei um banho rápido e me arrumei para o serviço. Philippe fez questão de me levar para o serviço, infelizmente, eu falei que não era necessário, mas de nada adiantou.
O homem estacionou o carro na frente da casa do Will, saiu do veículo e abriu a porta para mim, como se fosse algum cavalheiro, coisa que ele nunca foi.
- Já estou entregue, pode ir. - Falei.
- Não, querida, vou te levar até a porta. - Deu um sorriso sínico.
- Não pre…
- Xiu, vou sim, e não se fala mais nisso.
O homem me abraçou de lado e me acompanhou até a porta, e eu toquei a campainha. Logo Will abriu a porta e pude ver sua expressão de surpresa ao me ver acompanhada de Philippe.
- Oi. - Falei.
- Steph! - Mel surgiu correndo e veio até mim, porém parou na porta ao ver Philippe. - Quem é?
- Sou o Philippe, namorado da sua babá.
- Você tem namorado, Steph? - Franziu a testa.
- Amor, não falou de mim? Que f**o!
- Não falo de assuntos pessoais no horário de trabalho. - Me defendi.
- Está certa, você tem toda razão, meu amor. Bom, vou deixar você trabalhar, depois venho te buscar.
Ele me beijou para marcar território, e ignorou o fato de ter uma criança no local. Em seguida, ele se despediu de Will e Mel e foi embora, graças a Deus.
- Desculpa por isso. - Falei assim que o homem se retirou.
- Step, está tudo bem? - Will me perguntou meio desconfiado, assim que eu adentrei sua casa.
- Aham.
- Eu não sabia que você tem namorado. - Disse Mel. Logo se dirigiu para o pai. - Papai, quando eu vou poder namorar?
- Quando você tiver uns 35 anos. - Falou, nos fazendo rir.
- Mas daí eu já vou ser velha, e como vou ser mamãe se vou ter idade pra ser avó?
- Ah, Mel… - Eu ri. - 35 anos ainda é jovem, mas acho que seu pai deu uma leve exagerada. - O encarei.
- Não mesmo. - Falou ao colocar a mão em meu ombro, que estava machucado, por conta da noite anterior.
- Ai! - Reclamei de dor assim que ele encostou em mim.
- O que houve? - Tirou a mão rapidamente.
- Nada, eu só… Hã… Me bati hoje na escrivaninha do meu quarto, e ficou um pouco dolorido.
- Ah… - Falou soando meio desconfiado. Logo se dirigiu para a filha. - Filhota, dá um beijo no papai, que o papai já vai.
A menina pulou no pescoço do pai, lhe deu um selinho e o homem deu um beijo na testa da menina, se despediu de mim e saiu.
Mel e eu fomos para o quarto dela e ficamos brincando durante algum tempo. Porém, em dado momento, ela disse:
- Steph, teu ombro está muito f**o!
Olhei para o meu ombro machucado e notei que estava à mostra.
- Ah, sim… - Puxei a manga da minha blusa, cobrindo o ombro.
Fiquei mais algum tempo brincando com a menina, até o horário da pequena tomar banho e almoçar.
Observei Mel brincando com as espumas do sabonete, e lembrei da minha pequena Flor.
Flashback on
Flor e eu estávamos tomando banho de banheira, e a minha pequena começou a brincar com as espumas da banheira, a menina adorava fazer barba e roupas de espuma, adorava vê-la se divertindo tanto em um simples banho.
- Mamãe, posso lavar teu cabelo?
- Claro, meu amor.
Me virei de costas para a criança e ela colocou um pouco de shampoo em meu cabelo e começou a massageá-lo, tinha o toque tão suave.
Me virei de frente pra ela, que sorriu.
- Eu te amo. - Falei.
- Eu também te amo, mamãe. - Sorriu e me abraçou.
Flor voltou a brincar com as espumas enquanto eu a observava.
Flashback off
- Steph?
Abri os olhos, que eu havia fechado por um instante, e vi Mel à minha frente.
- Está tudo bem? - Me perguntou.
- Está, sim, pequena. - Forcei um sorriso. - Acho que está na hora de sair do banho, né? - Mel acenou positivamente com a cabeça.
Enrolei a criança em sua toalha e a levei até o seu quarto, ajudei a menina a se vestir e lhe fiz uma linda maria chiquinha.