Por Quê?

1046 Palavras
À tarde fiquei em casa com meu pai e aproveitei para ver um filme com ele. Era por volta de 17h quando a campainha tocou. Pensei ser dona Gesi e corri para abrir a porta, porém, quando abri, me deparei com um belo buquê de flores, que cobria o rosto dele. - Philippe? Você voltou! - Oi, meu amor. - Me deu um selinho. - Pra você! - Obrigada! - Falei ao pegar o buquê. Sem eu convidar, ele já foi entrando na casa, e se sentou no sofá, colocando os pés na mesinha de centro. - Como está o velho? Digo, o teu pai? - Na mesma. - Me sentei ao lado dele. Nisso, meu celular tocou. Ele estava na mesinha de centro, antes que eu pudesse ver quem era, Philippe já foi logo me perguntando: - Quem é Will? - Meu patrão. - Falei receosa. - Você não está no horário de trabalho, por que ele está te ligando? - Eu não sei. - Falei trêmula. - Atende e coloca no viva voz. - Me entregou o celular. Olhei para ele, que me encarava sério. Engoli a seco, peguei o aparelho e atendi. - Alô. - Oi, Steph. - Notei o olhar furioso de Philippe. - Eu vou pegar a Mel no colégio e vou levá-la ao cinema, ela está doida para ver uma animação que estreou essa semana. E como agora vocês estão se entendendo, pensei em te convidar pra ir com a gente, o que acha? - Notei o homem cerrar o punho, se pondo a mordê-lo, e logo deu um soco na parede, me assustando. - Steph? Está tudo bem? - Hã, sim. Obrigada pelo convite, mas hoje eu não posso, já tenho compromisso. - Ah, certo. Sem problema, eu entendo, fica para a próxima, então. Até amanhã! - Até! Desliguei a ligação e olhei de canto de olho para Philippe, estava muito assustada. E sem dizer nada, ele me deu um t**a muito forte no rosto, o que fez eu começar a chorar. - SUA v***a! - Pulou no meu pescoço, se pondo a me enforcar. - A quanto tempo ele está te comendo? - Quê? Não… Eu não… - Não minta pra mim! Ou você me fala a verdade ou eu vou ter uma conversa pessoalmente com ele. - Eu juro que não tenho nada com ele. - Falei sem parar de chorar. O homem me soltou para meu alívio, porém tirou seu cinto, e eu já sabia o que iria acontecer, afinal, não seria a primeira vez. No começo, Philippe era um verdadeiro cavalheiro, eu amava a forma que ele me tratava, porém, com o passar do tempo ele começou a ficar ciumento e muito violento. Eu já tinha tentado me separar dele algumas vezes, mas ele sempre vinha com promessas falsas de uma mudança, que nunca acontecia. A principio, eu acreditava nele, acreditava em suas juras de mudança, mas depois eu vi que ele jamais mudaria, pois se quisesse, ele já teria mudado. Quando eu notei que ele nunca deixaria de ser esse traste, eu resolvi terminar de vez e estava disposta a não voltar mais com ele, mas ele acabou me ameaçando, falou que se eu não fosse dele, não seria de mais ninguém, e por medo, acabei me vendo presa nesse relacionamento doentio. (...) No dia seguinte, cheguei pontualmente no meu serviço, e assim que Will abriu a porta, senti seu olhar surpreso. - Steph? - Oi. - Entrei no local. - Óculos novo? - Perguntou ao se referir aos óculos de sol que eu estava usando. - Na verdade eu estou com uma irritação no olho e meu oftalmo pediu para que eu usasse óculos de sol para proteger o olho durante o dia. Se importa se eu ficar com ele? - Não, claro que não. Will se despediu da filha, que estava terminando de comer um misto quente, e então foi trabalhar. - Oi. - Falei para a menina. - Do que vamos brincar hoje? - Hum… - Pensou um pouco. - De casinha, eu vou ser a mamãe e você a filhinha. - Ok. A criança colocou uma camisa do pai, que ficou um vestido nela, depois colocou um lenço na cabeça, e em seguida me entregou o bico de uma boneca para eu c****r. A brincadeira foi bem legal, apesar de ela ter sido uma mãe bem mandona, enquanto eu fui uma criança bem mimada e chorona. Até que eu me diverti bastante. - Steph, posso fazer um penteado bem bonito em você? - Perguntou. - Penteado? - Ela acenou positivamente com a cabeça, com um largo sorriso. - Ok, mas pega leve. - Pode deixar! A garota pegou umas borrachinhas e uma escova de cabelo e começou a me pentear. - Prontinho! - Ela disse após algum tempo. A criança pegou um espelho e me mostrou sua obra de arte, foi impossível não rir ao ver o jeito que eu me encontrava. Ela havia feito duas chuquinhas na parte da frente e dois coques atrás e ainda colocou alguns tiquetaques coloridos em meu cabelo. - Você é terrível! - Falei a fazendo rir. (...) Will Estava quase na hora de eu sair do serviço, quando meu chefe me chamou em meu escritório. - Will, você é o meu funcionário mais antigo e o mais dedicado. Acho que está na hora de você subir de cargo, o que me diz? Eu fiquei completamente sem palavras, há três anos que eu espero por isso. - Eu… Eu fico lisonjeado. Muito obrigado! - Mas para isso eu preciso que você faça uma capacitação de dois dias, será na próxima sexta e no sábado, e daí você não precisa vir trabalhar na sexta. - Ah, ok! - Porém a capacitação será em outra cidade, no litoral. Seis horas cada dia e depois você está livre para passear, conhecer a cidade… O que me diz? - Ah… Beleza! - Claro que a passagem e o hotel será por nossa conta, e com direito a um acompanhante. - Para mim está ótimo. - Falei. Essa seria uma oportunidade e tanto, a oportunidade que eu tanto queria, pois com essa promoção, o meu salário aumentaria em 35%. Eu só precisaria ver o que faria com a Mel.
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