- Flor… Flor… - Gritei desesperada.
Avistei um policial vindo em minha direção, ele simplesmente abaixou a cabeça e eu já entendi tudo. Sem chão, me ajoelhei e gritei de dor ao sentir várias facas cortando o meu coração.
- Flor… - Acordei no susto.
Olhei para os lados e vi que eu estava em meu quarto. Respirei fundo ao perceber que havia sido um pesadelo. Olhei as horas no relógio que estava em minha escrivaninha e vi que já estava na hora de levantar.
Após tomar banho e fazer minha higiene matinal, eu fui até o quarto do meu pai e vi que ele ainda dormia.
- Eu preciso ser forte, não vou desistir desse emprego, pelo senhor eu vou ser forte.
Em seguida, a dona Gesi chegou, deixei ela com meu pai e fui para o trabalho.
Assim que toquei a campainha, seu Willian abriu a porta, e eu entrei.
- Cadê a moça?
- Está no banheiro. Steph, desculpa por ontem, a Mel gostava muito da Daphne, uma amiga minha, que me ajudou a cuidar da minha filha desde que ela nasceu, porém, ela foi fazer um intercâmbio em outro país e a Mel ainda não se conformou com isso.
- Tudo bem, eu entendo. - Falei.
- Ah, será que você consegue ficar com a Mel amanhã à noite? Hã… Eu… Eu tenho compromisso. E claro que eu te pagaria a mais por isso, que tal 100,00 a mais?
Pensei um pouco, eu queria muito aceitar, mas teria que ver se a Gesi poderia ficar com o meu pai.
- Hã… Eu tenho que ver certinho, posso te confirmar depois?
- Ah, claro.
Logo Mel saiu do banheiro e deu uma leve bufada ao me ver. O seu Willian se despediu da gente e foi para seu trabalho. A menina ficou de braços cruzados apenas me encarando, detestava quando ela fazia isso.
- Ontem você mentiu. Você sabe que eu nunca te bati, não é legal dizer mentiras, eu fiquei triste com isso, sabia?
- Foi m*l. - Dei um leve sorriso.
- Tudo bem, já passou. Por que não me mostra os seus brinquedos? Eu ainda não conheço!
- Quero ver desenho! - Se sentou no sofá e ligou a tv.
Já vi que seria uma longa manhã.
Mel estava irredutível, não me dava a******a de jeito nenhum, e olha que eu tentava de todas as formas possíveis.
A manhã não foi nada fácil, para tudo o que eu sugeria que fizéssemos, a resposta era a mesma “não”, às vezes eu pensava em desistir, mas daí eu lembrava do meu pai, e isso me motivava a continuar firme.
Eu tentei dar banho e o almoço da Mel, mas não teve jeito, ela se negou, disse que esperaria o pai, e o que eu poderia fazer? Não iria dar comida e banho à força na criança, eu jamais faria isso. Sem saber o que fazer, tive que esperar o homem chegar.
- Papai! - A garota correu e pulou no colo do homem assim que ele entrou em casa.
- Não tomou banho ainda?
- Desculpe, eu tentei dar banho e o almoço dela, mas não deu.
- Eu estava te esperando, papai. - Falou docemente para o homem.
- Filha, o papai tem horário de almoço, se eu chegar e ainda tiver que te dar banho e comida, vou me atrasar, a partir de amanhã quero que você faça essas coisas com a Steph, ok?
- Ok! - Revirou os olhos.
Durante a manhã, eu enviei uma mensagem para Gesi perguntando se ela poderia ficar com meu pai à noite, e ela disse que poderia, mas que dormiria em minha casa para não voltar muito tarde. Ah, a dona Gesi era um anjo em nossas vidas, ela morava em nossa rua e ela e meu pai eram amigos de infância. Quando meu pai ficou doente, ela se propôs a ajudar a cuidar dele, nunca me cobrou nada, quando eu não podia pagar, ela ficava de graça, e eu ajudava com o que podia, como ir ao mercado ou à farmácia pra ela, algo assim, e sempre que eu estava trabalhando, fazia questão de lhe pagar, apesar dela nunca ter me cobrado algo, mas eu me sentia bem agindo dessa forma.
Quando meu pai ficou doente, eu logo consegui um trabalho em uma escola primária, mas era temporário, estava apenas cobrindo uma professora que tirou licença maternidade, quando ela voltou, tive que sair da escola, fiquei algum tempo desempregada até conseguir esse emprego de babá da Mel.
Assim que eu sai da casa, escutei uma buzina, e quando me deparei com o carro, não consegui crer que era ele.
- O que está fazendo aqui? - Perguntei ao me aproximar dele.
- Vim te convidar pra almoçar. - Disse Philipe.
Philipe era o meu namorado há um ano, eu gostava dele, apesar de seus inúmeros defeitos. Ele era um homem poderoso, era um famoso empresário, tinha nome e poder. Quando ele queria, sabia ser cavalheiro e romântico, me dava flores, chocolates, me levava para comer nos melhores restaurantes, me comprava presentes caros, mesmo eu dizendo que não precisava e que eu não queria nada disso, porém, era muito ciumento, e eu odiava essa versão dele.
Fomos a um restaurante super chique, e nos sentamos à mesa.
- Como está o trabalho? - Perguntou ao se ajeitar em seu lugar.
- Legal.
- Só isso? - Dei de ombros. - E o pai da criança?
- O que tem?
- É bonito?
- Sei lá…
- Você não me respondeu, vou perguntar de novo. É bonito? - Mudou o timbre de voz, ficando meio intimidador.
O garçom veio até a nossa mesa e entregou um cardápio para cada, logo se retirou.
- Não, não é. - Respondi.
Na verdade, seu Willian era um homem muito bonito, mas eu jamais diria isso para Philipe, pois senão, ele ficaria louco.
- Acho bom, e que continue assim. - Falou ao me encarar seriamente.
Chamamos o garçom e fizemos nosso pedido. Em seguida, Philippe mudou, e começou a conversar alegremente, me contou como havia sido sua manhã e me perguntou sobre a minha. Ah, eu adorava essa personalidade dele.