Uma Pequena Mentira

904 Palavras
Eu segui procurando por Mel, mas era como se ela tivesse sumido do mapa. Ai, vou perder meu emprego e o Willian vai me m***r! Ah, que essa criança esteja bem, por favor, meu Deus! Seu Will chegou alguns minutos depois enquanto eu procurava por Mel pelo pátio da casa, e ele estava desesperado, e com razão. - Achou? - Me perguntou aflito. - Não, nem sinal. - Como foi isso? - Fomos fazer um bolo, eu me sujei com farinha e resolvi ir tomar banho, deixei ela vendo desenho, e quando voltei ela já não estava. - Falei desesperada. - Mel! Mel! - Gritou ao adentrar a casa. - Papai! - A garota surgiu correndo, para nosso alívio. - Onde você estava? - Perguntou. - Hã… Brincando. Me escondi. - Eu te procurei por tudo. - Falei. - Não procurou dentro do guarda roupa do papai. É o meu esconderijo preferido. - Falou sem ter noção da gravidade do que ela havia feito. - Melanie, eu sai do meu serviço às pressas por sua causa, estávamos desesperados atrás de você, e você escondida esse tempo todo? - Alterou o tom de voz. - Desculpa, papai. - Falou cabisbaixa. - Por que você fez isso? - Eu não quero que ela seja a minha babá. - Cruzou os braços e fez “beicinho”. - Ok, e por que você não quer? Ela te machucou? - Mel me olhou em silêncio, parecia pensativa. - Filha, a tia Steph te bateu? - Em silêncio e cabisbaixa, a garota acenou positivamente com a cabeça. Quê? Eu nunca tinha encostado um dedo nela, eu jamais bateria em uma criança, Mel era super levada, vivia aprontando pra cima de mim, mas mesmo assim eu jamais cogitei a hipótese de levantar a mão pra ela. - Tem certeza? - O homem me deu uma rápida olhada incrédulo e depois voltou a olhar para a filha. A garota apenas acenou positivamente com a cabeça. - Não, é mentira, eu não bati nela, eu juro, seu Will. - Comecei a chorar. - Filha, nós já conversamos sobre as pessoas que batem em crianças… Se a Steph te bateu, eu vou ter que chamar a polícia pra ela, eu posso? - Mas eu não fiz nada. - Falei aos prantos. A garota não respondeu nada, e o homem que estava abaixado da altura da criança, se levantou e pegou seu celular. Eu estava tão nervosa, não podia ser presa por algo que eu não fiz. O homem piscou para mim sem que a garota visse, e aquilo me acalmou. - Alô, é da polícia? Eu queria fazer uma denúncia. - Não, papai! - Mel disse rapidamente. - Eu me enganei, ela não me bateu, não. O homem me olhou rapidamente como se me dissesse “viu, deu certo”. Ele guardou o celular e foi até a filha, se abaixando até ficar na altura dela novamente. - Então por que você disse isso? - Porque eu não quero ela como babá, quero que você ligue pra Daph voltar. - Filha, a Daph não vai voltar tão cedo, eu preciso trabalhar, ou você fica com a Steph ou eu vou achar outra babá pra você. - Ok! - Cruzou os braços e revirou os olhos. Como já era quase 11h30 o homem me liberou, alegando que se eu ainda quisesse poderia voltar no dia seguinte. Eu fui pra casa chorando, mas eu não podia desistir, eu precisava muito desse dinheiro e hoje em dia é tão difícil conseguir emprego. Como eu não podia ir pra casa no estado em que eu me encontrava, pois não queria que meu pai visse que eu havia chorado, resolvi parar em uma cafeteria e pedi um capuccino e um pão de queijo, e fiquei comendo enquanto pensava o que fazer para reverter essa situação, eu precisava encontrar um jeito de fazer a Mel gostar de mim, mas eu já havia tentado de tudo e nada havia dado certo até o momento. Claro que eu não tinha raiva da criança, eu não sabia direito quem era a tal Daphne, de quem a menina tanto falava, mas dava para ver que Mel gostava muito dela, acho que era sua antiga babá, como será que ela havia feito para conquistar a criança? Bom, eu não tinha ideia, mas eu também iria conquistá-la, e faria o que tivesse ao meu alcance para isso acontecer. Ao terminar meu lanche, fui até o banheiro da cafeteria e lavei o meu rosto. Em seguida, paguei a conta e fui embora. - Oi dona Gesi, desculpa o atraso. - Falei assim que eu entrei em casa. - Não foi nada. E tudo certo no serviço? - Tudo sim! - Forcei um sorriso. - Que bom! - Tocou suavemente o meu rosto. - Ele já almoçou, comeu tudinho e agora está descansando. - Obrigada! - Sorri gentilmente. - Eu vou nessa, mas qualquer coisa pode me chamar. - Pode deixar, muito obrigada. Ela sorriu e foi embora. Me dirigi até o quarto do meu pai, e o vi deitado, ele sorriu ao me ver. - Oi, meu amor, já chegou… - Aham, cheguei agora, a dona Gesi me disse que você comeu tudo. - Dei um beijo na testa dele. - Ela fez uma sopinha deliciosa. - Falou me fazendo sorrir. - E o trabalho? - Está ótimo! - Menti ao forçar um sorriso.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR