A Nova Babá

1095 Palavras
Após 34 entrevistas, finalmente havia achado uma nova babá para a Mel, ela não era como a Steph, mas parecia que iria conseguir fazer a Mel obedecer, pois eu precisava de alguém que a deixasse pronta para quando eu chegasse no meu horário de almoço. - Filha, achei uma nova babá para você. - Falei. - Papai, eu não quero babá. - Falou tristemente. - Mas filha, se eu não contratar uma babá, quem vai ficar com você quando o papai for trabalhar? - Queria a titia Daph. - Seus olhos se entristeceram. - Filha, já conversamos sobre isso. - Falei calmamente. - Eu sei… - Disse tristonha. - Papai, depois podemos ligar pra tia Daph? - Ok, depois podemos tentar. - Obaaaa! - Falou ao me abraçar fortemente. - Agora anda, pro banho. - Papai, posso tomar banho contigo? - Juntou as mãos em um ato de súplica e fez cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança. - Ok, vamos lá. Tomei banho com Mel enquanto brincávamos com as espumas da banheira, Mel adorava quando eu fazia barba nela com as espumas. Após nos vestirmos, liguei para Daph, e após chamar um pouco, ela atendeu. - Oi, meus amores. - Falou com um largo sorriso. - Tia Daph! - Disse Mel. - Estou com saudade. - Vem cuidar de mim. - Oh, minha princesa… A titia está muito longe, senão, eu ia mesmo. - Ah… Ficamos conversando um pouco com Daph, que nos contou como estava seu intercâmbio e o que estava achando de Londres. Mel contou super empolgada o que estava aprendendo na escola e eu contei o meu dilema com uma babá para Mel, e Daph chegou a rir das travessuras da minha pequena, mas eu não achava isso nada engraçado. Algum tempo depois, Daph precisou desligar, pois iria dormir, já que lá já era 1h enquanto pra gente ainda era 21h. Assim que encerramos a ligação, esquentei o que havia sobrado do almoço, e jantei com minha filha. Depois ficamos juntinhos vendo alguns desenhos, dessa vez, Mel optou por Barbie, eu achava esse desenho muito chato, mas por ela eu fazia qualquer coisa. (...) No dia seguinte, acordei cedinho a minha filha para arrumá-la para esperarmos a nova babá, que chegou pontualmente no horário combinado. Adoro gente pontual. - Filha, essa é a Luísa, sua nova babá. - Falei. Luísa era uma mulher de 32 anos, que já havia trabalhado com crianças em escolas primárias e como babá, foi o que fez eu escolhê-la. Mel que pareceu não ter gostado muito dela, o que eu já esperava. - Filha, o papai já vai. - Falei. Dei um beijo no rosto da minha filha, que me abraçou apertadamente. Me despedi de Luísa e fui para meu serviço. (...) Mel Legal! Acho que eu tinha mais uma babá para colocar pra correr, quanto tempo será que essa vai durar? Espero que não seja muito tempo. - E ai, do que você quer brincar? - Perguntou. - De nada. - Respondi seriamente. - Você é sempre assim m*l humorada? - Não, só com quem eu não gosto. - Cruzei os braços e a encarei. - m*l educada… - Falou baixinho, mas pude ouvi-la. Dei as costas para ela e peguei um bombom, que estava na geladeira. - Hoje não é dia de chocolate, mocinha. - Tirou o doce da minha mão. A mulher pegou as balas, pirulitos e chocolates, que estavam na geladeira e colocou em um armário, em uma altura que eu não alcançava. A olhei com fúria, mas isso não ficaria assim. Peguei uma cadeira, coloquei na frente do armário e subi nela. - Nem pensar, garotinha. - Me pegou e me colocou no chão, o que aumentou minha raiva dela. Assim que ela foi ao banheiro, tive uma ideia. Coloquei meu cd do Trem da Alegria no som super barulhento do papai e aumentei até o último volume. Subi no sofá e comecei a cantar a música aos berros. - ”Nesse clima louco eu nasci e cresci, garanto que a tristeza não passou por aqui, um disco na vitrola é só alguém colocar, e a nossa família larga tudo pra dançar. Dou um doce se você adivinhar, é gostoso e faz a gente balançar, até meu pai com seu tremendo barrigão se arrepia todo e cai na farra no salão.” Nisso, a tal da Luísa saiu do banheiro e me xingou pela música alta. - Tá maluca? Quer que os vizinhos chamem a polícia? A ignorei e continuei cantando aos berros enquanto a encarava. - ”É o rock, o rock, o rock'n roll. É o rock, o rock, o rock'n roll. É o rock, o rock, o rock'n roll, feito um vendaval na minha casa ele passou.” Nisso, a mulher tirou o som da tomada, acho que eu estava começando a odiá-la, como se atreve? - Você não pode fazer isso. - Falei. - Não, você que não pode fazer isso. Qual o teu problema? Nisso, em um momento de raiva, soltei um grito estridente, para irritá-la. A mulher mandou eu parar de gritar, mas eu não parei, queria que ela fosse embora. A tal Luísa me pegou fortemente pelo braço, me machucando. - Você está me apertando. - Falei ao tentar conter o choro. - Está na hora do banho. - Falou ao soltar o meu braço. - Não quero, meu pai que vai me dar banho. - Falei. - Como é? - Me olhou furiosa. - Você é criança, não te governa, agora anda, direto pro banho. - JÁ DISSE QUE NÃO QUERO! - Gritei. - E eu já disse que você não se manda. Vamos… - Me puxou pelo braço e me levou até o banheiro. - Meu pai diz que não podemos fazer as coisas contra nossa vontade. - Retruquei. - Mas se você não me obedece… Ou faz por bem ou faz por m*l, mas comigo não tem “não quero, não vou”. Aos prantos, tomei banho, e após me vestir, ela mandou que eu fosse almoçar. - Não quero. - Falei sem parar de chorar. A mulher me pegou à força, me colocou sentada na cadeira, abriu a minha boca e colocou a comida. Quase me engasguei. - Eu te odeio! - Falei assim que terminei de comer à força. - Cala boca! - Deu um t**a no meu rosto. - Você me bateu! Meu pai diz que é errado bater em criança. - Desabei a chorar. Sai correndo e me escondi dentro do roupeiro do papai.
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