Fiquei escondida no roupeiro do papai enquanto eu chorava sem parar, essa tal Luísa tinha me batido, papai nunca encostou um dedo em mim, eu só havia apanhado na escola por uns coleguinhas chatos, mas papai disse que a atitude deles não foi nada legal, e que não podemos bater nas pessoas, porque machuca e violência só gera violência.
De repente, escutei a voz do meu pai, e logo ouvi ele conversando com aquela bruxa, em seguida ouvi o barulho da porta abrir e depois fechar, e então não ouvi mais as vozes deles.
- Mel? Filha? - Papai me chamou.
Aos prantos, sai de onde eu estava e corri até a sala, pulei no colo dele e desabei a chorar. Papai, parecendo assustado, ou surpreso, não sei, se sentou no sofá comigo.
- Mel, meu amor, o que houve?
- Chama a tia Steph de volta, eu prometo que vou me comportar. - Falei ao soluçar de tanto chorar.
(...)
Will
Me assustei muito ao ver o estado que minha filha estava, nunca tinha a visto assim, nem quando Daph foi embora, e ainda pedindo pela Steph, que até ontem ela nem gostava, eu não estava conseguindo entender nada.
- Filha, o que houve? - Perguntei.
- Eu não gosto dessa Luísa, ela é uma bruxa. Ela me bateu, papai, e eu juro que dessa vez é verdade.
Quê? Como assim? Eu nunca havia levantado um dedo pra Mel, mesmo ela não sendo nada fácil às vezes, eu sempre busquei educá-la na base da conversa, ouvindo-a, na base do respeito, do diálogo, e dai vem outra pessoa e levanta a mão pra minha filha?
Nisso, notei que o rosto da minha pequena estava vermelho.
- Ela fez isso, meu amor? - Perguntei.
- Aham. E também apertou meu braço, e doeu muito, sabia papai? Eu até chorei.
Levantei a manga da camisa do braço direito, que Mel havia sinalizado, e vi um hematoma, que me apavorou.
- Que mulherzinha… - Falei indignado.
- Pai, chama a tia Steph? Ela é boazinha, eu que não fui legal com ela. - Falou cabisbaixa. - Mas prometo que peço desculpa, e que vou me comportar. Fala com ela, papai?
- Claro, meu bem. - Dei um beijo na testa da minha pequena. - Agora vem, vamos passar algo nesses machucados.
Passei uma pomada nos machucados da minha pequena, e depois a levei para a escola, queria ter ficado com ela, mas infelizmente eu tinha uma reunião de negócios inadiável.
Assim que parei no semáforo, indo em direção ao serviço, peguei meu celular para mandar uma mensagem pra maluca da Luísa, mas antes que eu fizesse isso, vi uma mensagem da mesma que dizia:
“Me demito, achei que seria fácil, mas sua filha é uma peste, não obedece, é birrenta e não tem limite, isso é falta de laço, melhor educá-la antes que cresça e vire uma marginalzinha.”
Meu Deus! Como ela pode falar assim de uma criança? E ela disse que já tinha experiência com criança, mas pelo visto era mentira. Pensei em respondê-la, mas não quis perder meu tempo e resolvi apenas bloqueá-la. Por mim, essa louca iria presa, mas como ela havia se demitido e eu não sabia onde ela morava, não foi possível fazer isso.
Fui para o serviço, mas nem consegui me concentrar direito, só pensava na minha menina, eu nunca devia ter demitido a Steph, era tudo culpa minha, e enquanto eu esperava terminar meu horário de almoço, resolvi ligar para Steph.
- Will? - Perguntou surpresa ao atender.
- Oi. Hã… Se você não se importar, eu gostaria que a gente pudesse se encontrar para conversar.
- Ah, claro.
- Bom, hoje eu saio mais cedo do serviço, será que podemos nos encontrar às 17h na cafeteria que tem na rua da minha casa?
- Claro, pode ser. - Falou prontamente.
Trabalhei o tempo todo com a cabeça na minha filha, e contando os minutos para ir embora, estava torcendo para Steph aceitar o meu pedido de desculpa e para que ela aceitasse voltar a cuidar da Mel.
Assim que sai do serviço, me dirigi para a cafeteria, e me sentei em uma mesa. Pouco depois, Steph chegou, acenei para ela, que veio até mim.
- Oi. - Falou docemente.
- Oi. Sente-se, por favor. - Ela se sentou de frente para mim. - Que bom que você aceitou vir.
- Ah, claro que eu viria. - Sorriu. - E como está a Melzinha?
- É sobre ela que eu quero falar, mas vamos conversar sobre isso enquanto comemos algo. - Ela acenou positivamente com a cabeça.
Fiz sinal para um garçom, que veio rapidamente até a nossa mesa.
- Eu vou querer um capuccino e um brownie. - Falei.
- E para mim, um chocolate quente e um pão de queijo. - Disse Steph com um terno sorriso.
O garçom anotou nossos pedidos e logo se retirou, nos trazendo o que havíamos pedido minutos depois.
- Steph, eu queria te pedir desculpa. - Ela me olhou sem entender. - Pela demissão…
- Ah, tudo bem… Eu entendo…
- Steph, você já arrumou outro emprego?
- Ainda não, estou buscando.
- Graças a Deus! - Ela arregalou as sobrancelhas. - É que… Bom… Eu havia contratado outra babá, mas um dia foi o suficiente para eu não querer nunca mais vê-la.
- Por quê? O que houve?
- Acredita que ela teve a audácia de bater na minha filha? Eu quase não acreditei quando vi o rostinho e o bracinho dela machucados. E quando eu cheguei, ela estava muito nervosa e chorava muito.
- Meu Deus! - A mulher cobriu a boca com as mãos. - Como alguém tem coragem de bater em uma criança?
- Também queria saber. E bom… A Mel pediu pra você voltar, e acho que fiz uma burrada quando te demiti. Então, se você quiser voltar, o emprego é teu. O que me diz?