Dois dias depois…
Santiago
Mais uma vez, eu estava vestindo meu uniforme de couro preto, pronto para ir fazer mais um trabalho sujo. Desta vez eu não estava com vontade de fazer isso, estava indo porque já havia pego a grana. Danira já me olha como se soubesse o que eu sinto, antes tudo era por adrenalina e diversão, mas hoje eu tô criando medo da morte, não por mim, mas por Danira e Maquini.
— Sabe que não precisa disso Sant, por que não desisti? Ainda dá tempo!
— Não é tão fácil assim Dan, mas eu vou resolver isso logo.
— Já pensou como vai ser quando ela descobrir a verdade sobre você?
O medo que eu estou sentindo em perdê-la é surreal, às vezes acho que eu nunca amei a Lucy de verdade. Maquini tem o dono de me fazer ficar calma apenas com toques, desde a nossa primeira e última transa que eu não consigo parar de pensar o quanto aquilo foi bom.
— Quem vai falar pra ela sobre o que eu faço ou quem eu sou de verdade?
— Ah Santiago, pelo amor de Deus, você acha que nós mulheres somos idiotas? Uma hora ela vai querer saber sobre sua vida, como tudo começou e então o que você vai dizer?
— Eu nem sei se ela tá afim de mim como eu tô dela Danira, ela já disse uma vez que tem vontade de ir morar na Rússia, na casa que os pais dela deixou como herança para ela. Então não há muita
coisa que eu possa fazer, eu tô de peito aberto pra ficar com ela, mas eu não posso obrigar ninguém a ficar comigo e muito menos e falando por aí o que eu ando fazendo nas horas vagas.
Vesti o colete, coloquei o silenciador na arma, peguei a chave do carro e saí feito um touro, bufando de raiva. Dessa vez eu estava fazendo trabalho para o Álvaro, o alvo era um político que segundo ele estava tendo um caso com sua mulher. Me posicionei bem de frente para o alvo que se encontrava embaixo do chuveiro, sua mulher estava nua na cama editando ele sair, e eu também estava esperando ele sair. Tive a leve impressão que alguém estava me seguindo, olhei para os quatro lados e percebi que não foi apenas minha impressão, os caras que trabalham para o Tiner estavam me seguindo, filho da p**a. Coloquei o fuzil na bandoleira e corri por cima dos muros de onde eu estava, corri o mais rápido que eu pude, mas não foi o suficiente. Senti um tiro pegar de raspão em meu braço direito, ardeu na hora mas logo em seguida a dor passou. Havia dois homens à minha espera mais a frente, consegui pular para um local onde era reto e sem tantos muros, a troca de tiros começou e o meu alvo hoje rodou. A troca de tiros foi intensa, mas eu não estava tendo uma boa visão deles já que estava todos escondidos e eu estava totalmente exposto ali em cima, fui alvejado no braço e no tornozelo, a queda foi inevitável, me joguei de cima para o chão antes que eu fosse mais alvejado depois que cair.
Ligação Ativa
— Por que não me avisou que estavam bem atrás de mim? Eu quase tomei a pior dessa vez.
— Não deu tempo de te avisar sobre nada, não deu para saber que estavam tão perto de você. Você está machucado?
— Levei dois tiros, mas tô bem. – Fui me arrastando até o carro e quando olhei para cima do teto pude ver o Max correndo, tenho certeza que é ele porque ela manca de uma perna, filho de uma p**a.
— Pode deixar que eu vou puxar a ficha de todos esses homens e te aviso amanhã, tem suspeita de alguma pessoa que trabalha pra você?
— Max, acho que o Flávio também pode estar no meio disso. Tiner sempre quis o que é meu, acho que agora ele conseguiu ter dois idiotas.
— Karine está na mira deles também? Sempre a vejo passeando por aqui, cuida dela Santiago.
— Karine não é mais problema meu faz tempo, não toca mais nisso, tanto pra mim quanto pra você ela morreu.
— Certo, nada de Karine. Ah, sobre as marcas no corpo da sua irmã foi tudo causado pelo Max, consegui colocar uma aliada minha lá dentro, inclusive ele está te dando um baita prejuízo nos negócios, causando um rombo na sua conta bancária.
Eu nunca desconfiei que o Max fosse capaz de algo desse tipo, mas mudei de pensamento sobre ele e passei a ter certeza de que ele é capaz de tudo, quando ele quase abusou da ex namorada dela na nossa frente, isso foi a gota D'Água para confiança que eu tinha nele. Danira sempre gostou de bandido, mas se envolver com o Max foi o pior erro da vida dela, mas eu só preciso ouvir a verdade da boca dela pra dar um jeito naquele i****a.
— Isso não é problema, dinheiro nunca foi problema pra mim. Meu problema são as pessoas. Qualquer coisa você me diz Kallil, vou estar aguardando em casa.
— Tudo bem, vou pedir pra Maquini que vá te fazer companhia.
— Até que não seria uma má ideia, rsrs.
— Beleza, agora se cuida que eu vou correr contra o tempo pra fazer meus serviços também e amanhã no máximo eu te passo a lista com o nome de todos.
Ligação Inativa
Dirigi até em casa com dificuldade porque meu pé agora está muito fodido.
Kate
É uma sensação única a tal da liberdade, Maquini saiu para trabalhar e eu já levantei e comecei a fazer as tarefas pra ajudar ela também, depois vou dar uma passadinha na cafeteria e ver como é por lá. Ontem tiramos o dia para descansar e falar sobre assuntos importantes, nem acreditei quando vi Sant aqui com ela, fazia anos que eu não o via, nem mesmo tinha notícias da prima Dan. Fui arrumar o quarto da Mack e gelei ao ver dois pedaços de pasta base escondidas debaixo das roupas dela, não quero acreditar que ela ainda continue se drogando, mesmo depois de tantos anos sem. Coloquei tudo do mesmo jeito que estava e desde já estou preparando para conversar com ela sobre isso, porque ela é minha única base aqui fora e eu não quero perdê-la novamente.
Eram quase onze horas quando eu já havia tomado banho e estava pronta para ir na cafeteria, dei sorte de pegar um táxi assim que sair de casa, pedi que ele me deixasse lá e lá ela paga.
— Bom dia Kate, o que está fazendo aqui? – Perguntou assim que me viu entrar.
O lugar é bem arrumado, alguns clientes já estavam tomando seu café da manhã enquanto liam um jornal, outros apenas estavam lá esperando a hora passar.
— Vim te visitar no trabalho, nunca ouviu falar que amiga são pra essas coisas? – Meu espírito de fofoca estava gritando pra falar sobre o que eu vi e eu não me contive e abrir a boca, me aproximei o suficiente do balcão pra que ninguém me escutasse além dela.
— Quer beber alguma coisa?
— Um expresso duplo, e eu também tô sem grana e o moço do táxi está esperando o dinheiro… – Ela sorriu e me deu o dinheiro da passagem.
— O que quer me dizer Kate? Eu te conheço e sei perfeitamente que está se contendo pra não falar algo, então coloca pra fora agora. Mas antes espera um pouco, vou para o almoço mais cedo hoje Kiya.
Sentei e esperei ela tomando meu café, que saudades que eu estava de um expresso desses, já estava farta de chá e pão de forma.
Onze e meia ela estava batendo o ponto pra sair.
— Vamos Kate…
Saímos e fomos direto pra pracinha que ficava perto, eu não queria parecer a chata que se intromete na vida dos outros, mas acontece que a Maquini não é os outros e o que ela está fazendo é errado e ela sabe muito bem disso!