Grego narrando
Cheguei em casa no fim do plantão, moído, suado, com a Glock ainda pesando na cintura e o estresse batendo nos ossos. m*l fechei a porta e ela já soltou a bomba:
— Amor… então, eu vou viajar esse final de semana com a Bia e a Carol, tá? Já fechei com elas.
Eu parei. No meio da sala. Sem nem acreditar que tinha escutado certo.
— Como é que é? Tu acabou de voltar da Bahia, p***a — eu grito com ela nervoso — não combinamos de ficar em família esse fim de semana, aluguei a lancha e tudo pra gente, e tu mete essa, c*****o ?— eu grito muito puto com ela
— Ué, amor… a gente combinou agora e a Carol já fez as reservas, não tem problema né vida ? Você nunca brigou por isso — ela vem daquele jeito dela quando quer me comprar de alguma forma, so que hoje não colou.
— A lancha pode remarcar, né? Não é a primeira vez que a gente vai…
Meu sangue ferveu. A pulsação começou a zunir no ouvido.
— Mais uma vez, Michele? Mais uma p***a de vez que você me mete essa! — explodi, jogando a chave no sofá — A gente combinou, c*****o! Eu aluguei a lancha, ajeitei os plantão, arrumei tudo! Era pra ser um final de semana em família! Eu, você e a Isabela!
Ela me olhou com aquele ar debochado, cruzando os braços.
— Você tá exagerando. Eu posso sair com as minhas amigas, não posso mais?
— Exagerando é o c*****o! — gritei, o peito subindo e descendo de ódio — Tu passou a semana inteira fora, Michele! Foi pra Bahia, voltou no domingo, e agora é sexta e tu já quer meter o pé de novo? Que p***a é essa?
— Grego, você tá me coagindo a ficar em casa, sabia? Tá me controlando. Eu não te reconheço mais — ela disse, com a voz começando a falhar, puxando o drama.
— Vai se f***r, Michele! Eu sempre te deixei livre. Sempre te banquei, deixei fazer o que quisesse, nunca te privei de p***a nenhuma! Mas agora tu quer me pintar de abusivo porque eu tô exigindo o mínimo de respeito? O mínimo de presença? Ah, vá pra p**a que pariu! — falei já indo pro quarto.
Ela veio atrás, choramingando:
— Eu só queria um tempo com as meninas, eu não sabia que você ia reagir assim…
— Claro que não sabia! Porque você nunca se importa! — eu entro no closet e puxo a mala dela, que ou ela não desfez a anterior, ou ela já tinha até arrumado tudo, só estava esperando o trouxa aqui chegar — nem pra tua filha tu dá atenção p***a, quer me tirar de otario nesse c*****o — eu grito nervoso com ela que tenta argumentar, mas eu atingi o meu limite — Então agora tu vai! Vai viajar, vai viver tua vida de solteira! Vai postar fotinha de biquíni com legenda de música da Ludmilla! Vai curtir, Michele!
Ela tentou me impedir, me segurar, mas eu já tava cego de raiva da cara dela
— já tá até com a mala arrumada, então some logo c*****o — eu grito na cara dela e ela recua assustada — Agora tu vai! Vai com gosto! Mas quando voltar, esquece. Esquece essa casa. Esquece essa família. Esquece que um dia tu teve um homem que fez de tudo pra te dar o melhor.
Ela caiu no sofá, chorando, com as mãos no rosto. E eu? Eu nem olhei pra trás. Do jeito que eu tava, com a arma ainda na cintura e o coração explodindo no peito, e fui saindo de casa e ela veio me chamando, gritando atrás de mim, pedindo pra conversar, fazendo a cena dela e eu nem liguei, subi na moto e sumi. Tava tendo resenha no qg dos cria e eu nunca colo, mas essa noite lá era o meu destino.
Cheguei lá e fui recebido igual rei. Os crias sorrindo, batendo no meu ombro, agradecendo minha presença como se eu tivesse feito um favor. Mas eles não sabiam. Ninguém sabia. Eu tava fervendo por dentro.
O copo de uísque tremia na minha mão. O gelo estalava e o álcool batia direto na alma. Eu deixei de fazer muita coisa, eu respeitei o nosso casamento, foi uma paixão muito louca, desde o início, e eu sempre fiz de tudo pra dar a melhor vida do mundo pra ela. Nunca faltou p***a nenhuma. Nem sexo, nem dinheiro, nem status. E ainda assim… ela preferia as amigas.
Preferia se mostrar no i********: do que viver a vida real com quem tava do lado dela quando tudo desmoronou e ela tinha uma criança pra sustentar. Porque foi quando ela apareceu aqui, e eu me apaixonei, nos envolvemos muito rápido, e de uma forma muito louca, eu mandei ela parar de trabalhar, garanti que não ia faltar nada pra ela e nem pra Isa, assumi tudo, peguei o pacote completo, Isa ainda era pequena e eu criei como minha, porque o pai nunca procurou, e a partir do momento que eu entrei na vida dela, ela não precisou procurar o pai pra nada, porque eu fui tudo o que elas precisavam.
Eu olhava o morro do alto do qg, as luzes dos barracos piscando lá embaixo, e tudo o que eu sentia era raiva. Raiva de mim por ter dado tudo. Raiva dela por cuspir em tudo. E raiva de saber que… talvez o problema sempre tenha sido eu que dei tudo o que elas queriam. A Isa é mimada, não faz nada, não precisa, mas me respeita pra c*****o, tem tudo comigo, dou atenção a ela que a mãe não dá. A Michele também sempre teve tudo, mas de uns tempos pra cá só quer saber de curtir e me culpa que eu não vou porque não posso, ou até mesmo porque não quero.
Como se fosse fácil, como se a minha cara não fosse mais procurada que outra coisa na pista, duvido que se eu fosse preso ela fechava comigo. Dou minha cara a tapa que nem no presídio ela iria pisar.
E era nesse ódio, nesse silêncio carregado, que eu beberia até esquecer que eu tinha uma mulher me esperando em casa… quando, na real, ela já deveria ter saído do morro pra encontrar as amigas e se fazer de vítima como se o monstro fosse eu.
Mas dessa vez não, hoje eu ia por limites nessa p***a.
Tirei todo o dinheiro da conta dela, bloqueei os cartões e vamos ver como ela vai se virar agora nessa viagem, ela não quer ser a f**a, e eu o opressor ? Então vamos ver até onde ela vai sozinha. Porque se ela for e não falar nada, é porque tem caroço nesse angu, e aí as coisas vão se complicar…
Eu tava suave lá, de cara fechada, só observando o movimento dos cria, as p**a jogando, os menor pagando de patrão, folgando com as p*****a, enchendo a mesa de combos, querendo dar uma de brabo
E foi quando ela chegou, p***a…
Preta rara, namoral!
Essa amiga da Isabela é um pecado, deveria até ser proibido ela andar na rua assim…
Porra, que mulher. Que obra de arte. Aquilo ali não foi esculpido por Deus, não. Aquilo foi feito na maldade. Na intenção. Foi o próprio demônio que desenhou cada curva daquele corpo e colocou um brilho naquele sorriso só pra testar minha fé. Ela chegou rindo, leve, com a pele brilhando sob a luz dos refletores, o cabelo preso, os olhos atentos. Sabe aquela mulher que entra num ambiente e faz todo o resto desaparecer? Então. Era ela.
Fiquei ali, calado. Só observando.
Os moleques, doidos, se engraçando pra cima dela, jogando cantada, soltando aquelas frases manjadas, e ela só no charme. Respondia com aquele sorrisinho debochado, escapando das mãos que tentavam se aproximar demais, deixando claro que não tava ali pra isso. Ela tava trabalhando. Concentrada, toda pegada na função. Os dois rindo, brincando entre uma bebida e outra. Ela dançava, se mexia no ritmo da música enquanto preparava os drinks. Era sensual sem ser vulgar. Era firme sem ser grossa. E cada movimento daquela mulher parecia um chamado.
E eu, p***a, tava sóbrio de repente.
O ódio que eu sentia da Michele foi sendo empurrado pra um canto e deu lugar a outra coisa. Uma inquietação. Uma vontade de atravessar o ambiente, puxar ela pelo braço, colar ela na parede e descobrir se aquele cheiro era tão bom quanto o olhar dela prometia. Mas eu fiquei. Fiquei observando. Por respeito? Talvez. Por medo de mim mesmo? Com certeza. Porque se eu colar nessa mulher e eu sentir o cheiro dela, fudeu, eu não vou soltar nunca mais. E ela é melhor amiga da minha enteada né… ela numa me olharia dessa forma, ou olharia ?