~~CAPÍTULO 15~~
BAILEY ROSS
Eu estava no quarto admirando o jardim através da janela enorme do meu quarto, enquanto comia uma barra de chocolate, o urso que ganhei do Matteo está decorando minha cama, juntamente com o vaso que está na mesa do centro. É tão boa essa sensação de paz, que não quero que nunca passe.
— Eu posso entrar?
Ouço a voz de Chloe atrás da porta do meu quarto.
— Entre.
Autorizei, levantei o tronco do meu corpo para olhar atentamente o que ela fez nos seus cabelos, de rosa, vermelho e amarelo, seu cabelo estava cacheado com cores roxo e rosa. Seus lábios pintados de preto, sua bota longa de couro e vestido princesa, deixa-me completamente confusa.
— Você está muito feliz.
Ela começou, seus olhos fixando no vaso de rosas.
— Terminei a faculdade.
Eu tinha mais tempo que um papagaio, próximo ano, começaria a submeter os documentos nas escolas.
— Não é por causa do Matteo?
Ela pegou-me de surpresa com sua pergunta, como ela sabia? Droga, eu vou matar essa garota.
— Chloe, está maluca? Não fale isso em voz alta.
Saio do sofá aproximando-me dela.
— Eu sabia, estão namorando?
Ela questionou empolgada, arrancou a barra de chocolate que eu estava comendo e colocou na boca.
— Deus, eu não sei, estamos nos conhecendo.
Peguei meu chocolate de volta.
— Que bom, você parecia uma múmia por causa daquele imprestável.
Eu revirei os olhos pelo seu comentário.
— Eu viajo na próxima semana, quer alguma coisa de DC?
— Eu não sei, tenho tanta coisa, talvez uma bandeirinha de estados unidos.
Ela fez uma cara muito estranha quando eu disse isso.
— Credo, eu não vou trazer isso para você, eu tenho que ir, Emily vem me buscar para...
Ela parou de falar, como se percebesse que ia falar merda.
— Termine a frase.
— Não é da sua conta.
Ela deu meia volta e saiu do meu quarto rapidamente, ela vai aprontar alguma, eu conheço aquela peste. Suspirando fundo eu voltei a me sentar no sofá.
A semana passou voando, compras para festa do final do ano e minha graduação, passeios com Matteo, e fui submeter documentos onde mamãe trabalha. Estávamos no estacionamento, nos despedindo da Chloe, ela passara duas semanas curtindo com suas amigas, ela insistiu tanto que conseguiu.
— Lucas, não chore, ela só vai ficar duas semanas fora.
Eu comentei acalmando, entretanto, ele chorava ainda mais, e mais.
— Eu quero ir.
Ele murmurou em soluços.
— É viagem de garotas, meninos velhos não vão. Me dá um beijo, eu volto rápido.
Chloe falou muito rápido, deu um beijo na bochecha de Lucas e entrou no carro, é de partir o coração vendo Lucas chorando desse jeito. Ele não pode ir com elas, e mamãe nunca permitiria que ele fosse com elas, é muita responsabilidade para adolescente em uma cidade diferente.
— O que você acha de irmos ver o bebê da tia Fiorelle?
Lucas parou de chorar imediatamente, acho que toque no seu coraçãozinho, pois, ele sorriu e bateu palmas.
— Sim, eu quero.
Lucas disse contente.
— Nova Iorque?
Mamãe questionou surpresa, pela nossa decisão repetina, ela olhou para nós, eu sei que ela está ocupada com a correção das provas e lançamento das notas, duas semanas é o tempo suficiente para resolver isso e nos prepararmos para o natal.
— Sim mãe, nós vamos a Nova Iorque, assim Lucas terá um amigo para brincar, eu vou fazer as malas.
Eu disse rapidamente, antes que ela me convença a ficar.
— Onde você vai?
Papai questionou, eu não sabia que ele estava em casa.
— Bebê.
Lucas respondeu feliz.
— Que bebê?
— Eles estão indo para Nova Iorque passar alguns dias.
Mamãe respondeu por nós.
— Essa casa ficará silenciosa sem vocês.
— Papai, você tem a mamãe, ela está carregando outro bebê, nosso irmão.
Eles não estão sozinhos, tem um ao outro, mais privacidade, sem preocupações e sem gritaria de filhos, muito mais, sem reclamações por duas semanas. Eu fui fazer nossas malas, carreguei o cesto dos cachorros e brinquedos favoritos do Lucas. Nós nos despedimos da mamãe, e o papai nos deixou no aeroporto particular onde seu jatinho estava nos esperando. Lucas se despediu do papai, eu sorri e fiz o mesmo.
— Quando sua mãe ligou, avisando que estavam a caminho, eu não acreditei.
Tia Fiorelle comentou surpresa da nossa decisão repetina.
— Boa noite tia, Lucas dormiu.
Eu disse, ele estava tão feliz com a viagem que dormiu cansado e ansioso.
— Ele dormiu sem jantar.
Tio Fiorelle afirmou, eu sorri para ela e respondo:
— Não se preocupe, ele comeu no voo.
— Preparamos quartos para vocês.
Ela disse, ouvimos o som da sola dos sapatos, era Diego descendo as escadas. Faz muito tempo que não o vejo, ele anda muito ocupado como executor do meu irmão.
— Cade aquela pirralha da sua irmã?
Diego disse empolgado enquanto descia as escadas.
— Aposto que ela está no jardim procurando por alguma arvore para subir.
Diego afirmou, antes que ele vá até o jardim eu digo:
— Ela não veio comigo, foi para DC com suas amigas.
— Sério? Não acredito que seu pai permitiu.
— Papai nunca diria não a Chloe, sua vida seria um inferno.
Afirmei, Chloe é uma menina muito difícil de lidar, se torna ainda mais difícil quando estão em um impasse.
— Precisa de ajuda?
Tia Fiorelle questionou, Lucas está dormindo no meu colo, eu mesmo o coloco na cama.
— Não, vou deixar esse moleque na cama.
Afirmei. Deixei Lucas dormindo no meu quarto, ele parecia tão sereno no seu sono que não quis o acordar para tomar banho. Quando desci meu irmão havia chegado.
— Que bom que decidiu passar uns dias conosco.
Ele disse contente ao me ver, Marcos é meu irmão sobrinho, seu pai estuprou minha mãe e assim eu nasci, nós tentávamos lidar com essa dor, ele com a vergonha, seu pai fez tanta coisa errada que o inferno é muito pouco para ele. Porém, nós levávamos a vida do único jeito que conseguíamos, um dia de cada vez.
Com a minha formatura, ele e sua família passarão as festas do final do ano em casa, para alegria de todos. Mamãe não odeia ele, ela só não quer o sobrenome deles, ela não quer nenhum contato com sua mãe, com as outras primas da mesma idade que ela. Todos aqueles que fizeram parte da sua tortura, ela mantém distancia, para o bem do seu estado mental e emocional.
Estamos bem com isso.
— Lucas estava chorando quando viu Chloe viajando, tive a ideia de passarmos alguns dias aqui e ele gostou.
Encolhi os ombros em resposta.
— Estou feliz, estamos nos preparando para passar as férias do final do ano em São Francisco.
— São bem-vindos.
Nós sentamos para jantar, meu irmão Marcos falou um pouco do seu trabalho, e fez-me questões sobre passos a seguir depois da faculdade. Jogamos baralho e para finalizar o dia, tomei banho, finalmente finalizei o dia.