~~CAPÍTULO 17~~
BAILEY ROSS
Estava sentada na cadeira do balcão da cozinha vendo mamãe tirar bolo de chocolate da geleira, ela está radiante em me ver, felizmente, não reclamou do meu sumiço. Contei a ela sobre faculdade e planos futuros. Ela é minha mãe, a mulher que encontrou-me numa caçamba, morrendo de frio e chorando, ela deu-me um teto, educação, amor. Nunca permitiu que eu dormisse com fome, nunca vou cansar-me de agradecer por tudo que fez por mim.
— Eu preparei bolo de chocolate como você adora.
Ela cortou uma fatia de bolo e deu ao Lucas, em seguida cortou outra para mim.
— Obrigada mãe.
— Não me canso de dizer o quanto ele se parece com você, esses olhos azuis lindos.
Lucas sorriu, segurando a fatia com a mão, dando uma mordida bem generosa sujando-se todo.
— Sim, onde está o papai?
— Trabalhando, você conhece ele, ele trabalha demais.
Mamãe contou-me sobre seu trabalho e como estão os preparativos para ir a São Francisco, ela disse que chegam bem cedo na sexta-feira antes da graduação. O trabalho do papai dificulta muito as folgas, mas, estava tudo bem. Eu os quero na minha graduação, quero que eles se sintam orgulhosos da mulher que sou hoje e dividam comigo essa felicidade.
Depois que saímos da casa dos meus pais, nós voltamos para casa do meu irmão. Meu telefone tocou, é Chloe, espero que sejam boas notícias do seu passeio.
— Oi irmã.
Chloe disse super empolgada.
— Oi Chloe, como está indo o passeio?
Questionei, há muito barulho do outro lado da linha, acho que elas estão aproveitando como deve ser essa viagem.
— Maravilhoso, bom tirando os seguranças do papai, o resto está perfeito.
— Que bom que está aproveitando a viagem, conheceu casa branca?
— Deus sim, é linda, é uma cidade maravilhosa, comida maravilhosa, hotéis perfeitos, as meninas são um pouco chatas, mas está tudo bem.
— Aproveite, estou em Nova Iorque.
Atualizei-a.
— Porque não para Paris? Papai e mamãe não vão levar você para lá.
Ela tem razão, Paris não é o alto da mamãe ou nós teríamos feito a viagem há muito tempo. Mamãe gosta de Grécia, Inglaterra, Portugal e Madri. Esses são os países que na primeira oportunidade, ela se refugia.
— O que acha de fazermos juntas essa viagem antes da faculdade?
Questionei-a, um período de 1 mês longe de casa fará bem a todos.
— É uma boa ideia, vou levar Emily, não quero ficar de vela.
— Como desejar, vou colocar Lucas na cama, ele está sonecando, no sofá.
— Oky, bjs.
— Até breve.
Ela encerou a chamada, fui colocar Lucas na cama, estava tão entediada que decidi ir até o quarto do Matteo, eu sei que deveria ficar longe do quarto dele, entretanto está tarde, e não gostaria de ficar sozinha.
Alcancei a maçaneta do meu quarto e saí para o corredor. Matteo estava dormindo no quarto ao lado do meu, estava silencioso e escuro, mas pelo menos não estava frio, eu não queria estar sozinha, não queria passar a noite toda olhando para a escuridão. Me arrastei pelo corredor, cuidando para não fazer nenhum som. O interior estava silencioso e tranquilo. Claro, já passava e muito da meia-noite e ele sempre se levantava cedo.
Então não me mexi por um longo tempo, as cortinas não estavam fechadas, de modo que o luar fornecia alguma luz. Ele estava de costas para mim e seu cobertor cobria somente até a cintura.
Meus olhos traçaram seus ombros e braços musculosos. Eu me aproximei, um passo hesitante após o outro. Isso era tão louco. Matteo tinha me pegado em seu quarto antes, e pior, ele me pegou o espionando no chuveiro, mas isto parecia mais íntimo. Ele estava na cama, e se as coisas fossem do meu jeito, eu iria em breve me juntar a ele.
Eu congelei a alguns passos da cama. Minha respiração acelerou como se eu tivesse me exercitado e minhas mãos estavam pegajosas.
Eu balancei a cabeça, ficando com raiva de mim mesma por cismar com tudo. Dei mais um passo em direção à cama, mas eu devo ter feito um som sem perceber porque a respiração de Matteo mudou e seu corpo ficou tenso. Ah não. Não havia como voltar atrás agora.
Ele rolou de costas em um movimento rápido, então seus olhos pousaram em mim. Ele relaxou, mas rapidamente ficou tenso novamente.
— Bailey?
Eu não respondi. Minha língua parecia presa no céu da boca. O que eu estava pensando?
Matteo balançou as pernas para fora da cama e se sentou na borda por um momento, em silêncio, me observando. Ele podia ver o meu rosto? Eu provavelmente parecia um rato acuado por um gato, mas eu não estava com medo.
Nem um pouco. Se qualquer coisa, eu estava envergonhada, e estranhamente animada. Eu era um rato perturbado e doente, isso era certo. Ele se levantou, e, claro, meus olhos fizeram uma varredura rápida pelo seu corpo. Ele estava vestindo apenas uma cueca. Ele parecia bom demais para ser verdade. Como se tivesse saído diretamente dos meus sonhos.
— Bailey?
Havia preocupação em sua voz, mas também havia algo mais. Algo que eu tinha ouvido quando ele me pegou espionando no chuveiro. Era algo mais sombrio e quase ansioso.
Meu estômago vibrou com borboletas e eu dei um passo em sua direção. Eu queria voar em seus braços, queria beijá-lo, e queria muito mais.
— Posso dormir com você?
As palavras saltaram para fora, apenas assim, e uma vez que elas foram pronunciadas, eu não podia acreditar que as tinha dito. Especialmente porque elas poderiam facilmente ser levadas para o caminho errado.
Matteo congelou. O silêncio se estendeu entre nós. Eu tinha certeza que isso iria me esmagar a qualquer segundo. Dei mais um passo em sua direção. Eu estava quase no alcance do seu braço agora.
O som da respiração de Matteo era incrivelmente baixo. Eu podia ver seu peito arfando. Ele estava com raiva?
— Isso não é algo com que você deve brincar.
Ele disse calmamente.
— Não é engraçado.
Ele estava com raiva. Talvez eu devesse ter tomado a dica, girado nos calcanhares e saído do quarto.
— Eu não estava brincando, e eu não quis dizer isso assim.
Eu sussurrei.
— Eu quero dormir na sua cama, apenas dormir.
Por enquanto. Eu queria mais do que isso, eventualmente.
— Bailey.
Matteo murmurou.
— Eu quero fazer as coisas direito, pedir sua mão.
— Eu quero isso, mas, não desse jeito, nós dois dormindo separados.
— Eu sou homem.
Eu avancei a distância entre nós até que nossos p****s quase estavam pressionados um contra o outro. Matteo não recuou, mas ele se preparou.
Matteo ficou em silêncio por um momento antes que ele dissesse:
— Eu gosto de você. Eu realmente gosto de você.
Isso era um eufemismo.
— Eu só quero estar perto de você.
Ele não disse nada.
Dúvida pareceu cruzar sua cabeça. E se eu tivesse imaginado os olhares que ele tinha me dado?
— Se você não gosta de mim, então me diga. Está tudo bem,
Não estaria, na verdade. Eu seria esmagada, mas talvez fosse melhor. Eu seguiria em frente com minha vida de alguma forma.
— f**a-se.
Ele murmurou, se afastando de mim e me deixando encarar as suas costas.
— Se eu fosse um bom homem, eu lhe diria exatamente isso. Eu tenho mentindo para você para o seu próprio bem. Mas eu não sou bom, Bailey.
Um alívio me inundou. Ele não tinha dito que não gostava de mim. Eu tinha lido de maneira correta os seus sinais. Deus, eu poderia ter gritado em alegria. Descansei minhas palmas das mãos contra seus ombros nus. Sua pele era suave, exceto por algumas pequenas cicatrizes, mas elas apenas o fizeram mais desejável para mim. Ele estremeceu sob o meu toque, mas não se afastou.
Ele se virou. Eu não fui rápida o suficiente para puxar minhas mãos porque agora elas descansavam contra o seu peito. Isso era ainda melhor. Eu tive que me impedir de correr minhas mãos de cima a baixo no seu tórax. Mesmo na semiescuridão eu podia ver o fogo em seus olhos. Ele me olhava da cabeça aos pés. Eu só estava vestindo os shorts do pijama e um top, mas não estava envergonhada. Eu queria que Matteo me visse assim, queria ter uma reação dele.
— Bailey, você é impressionante. É claro que eu acho você atraente. Olhe para você, você é bonita.
Meus lábios se separaram. Isso foi mais do que eu tinha ousado esperar. Cheguei ainda mais perto e olhei para ele.
— Então por que você continua me empurrando para longe?
— Porque é a coisa certa a fazer, e porque eu conheço os riscos.
— Eu não valho a pena o risco
Matteo olhou para mim com tal intensidade que eu não pude deixar de tremer. Ele não respondeu. Ele agarrou os meus quadris e me puxou contra ele antes que os seus lábios descessem nos meus. Eu abri sem hesitação, ávida por aquele beijo, ansiosa por sua proximidade. Sua língua mergulhou em minha boca. Não havia sombra de hesitação ou dúvida em seu beijo.
Eu gemi. Isso era tão diferente do nosso primeiro beijo, era tão mais intenso. Ele segurou a parte de trás da minha cabeça, me guiando do jeito que ele queria. Eu m*l podia me segurar. Fiquei na ponta dos pés e me encostei a ele enquanto segurei seus ombros para manter o equilíbrio. O beijo me consumiu e me agitou como se um incêndio tivesse começado dentro de mim, me fazendo muito quente.
Matteo se afastou e eu tentei ir com ele, mas ele me manteve à distância do braço. Sua respiração era dura e havia um olhar selvagem em seus olhos.
— Me dê um segundo.
Ele murmurou.
Ele fechou os olhos como se estivesse com dor. Tudo o que eu conseguia pensar era em beijá-lo novamente, ter as suas mãos em meu corpo. Eu não queria nada mais. Mas eu fiz o que ele pediu e dei a ele alguns segundos para obter controle sobre si mesmo. Finalmente, ele abriu os olhos outra vez.
O olhar selvagem tinha ido embora e foi substituído por algo mais controlado. Seu domínio sobre meus ombros relaxou e os polegares acariciaram levemente a minha pele. Eu não tinha certeza de que ele notou que estava fazendo isso. O leve toque levantou arrepios de prazer por toda a minha pele. Esperei que ele dissesse alguma coisa, mas também temia o que ele diria. Uma de suas mãos viajou até a minha bochecha.
— Você deve sair agora.
Disse ele calmamente.
Eu congelei.
— Você está me mandando embora?
Hesitação cintilou em seu rosto.
— É o melhor, Bailey, acredite em mim.
Eu dei um passo para trás. Eu não deveria ter entrado no seu quarto para início de conversa, ele deve respeitar a casa do meu irmão que é seu Capo, e eu devo respeitar a casa do meu irmão.
— Boa noite Matteo.
Eu me virei e corri para fora do quarto. Quase não prestei atenção enquanto atravessava o corredor em direção ao meu quarto
Fechei a porta e rastejei de volta para minha cama. Era muito silencioso no meu quarto, muito solitário e vazio. Mesmo a lembrança do beijo que Matteo e eu tínhamos compartilhado não conseguiu me animar. Demorou muito tempo para eu cair no sono e, em seguida, o rosto infeliz e pálido da mãe assombrou os meus sonhos.