Benjamim Lancelloti
A porta do meu quarto bateu com tanta força que as paredes pareceram tremer.
Maldita.
Garota maldita.
Eu estava com os punhos cerrados, o peito arfando, a respiração cortada como se tivesse corrido por quilômetros.
Fechei os olhos.
Mas o que vi foi o corpo dela.
Molhado.
Ofegante.
Gemendo contra a minha boca.
Abaixei a cabeça e respirei fundo, tentando me desconectar.
Tentando lembrar por que caralhos eu estava ali.
Missão.
FBI.
Luigi Savoia.
Prisões. Justiça. Ordem.
Mas tudo isso parecia um borrão ao lado da imagem dela.
Aquela garota.
Aquela filha da p***a do mafioso que eu jurei derrubar...
Estava me fodendo. Literalmente.
Dei um soco contra a parede.
Abri a gaveta da cômoda e saquei a garrafa de uísque escondida entre as cuecas.
Dei dois goles sem respirar.
O álcool desceu queimando.
Mas não queimava tanto quanto o que tava dentro de mim.
Andei de um lado pro outro do quarto como uma fera enjaulada.
O chão de madeira escura rangia sob os meus passos pesados.
A luz do abajur criava sombras em cada canto do quarto, deixando tudo com cheiro de confissão.
Abri a janela.
A brisa gelada da madrugada cortou meu corpo quente como navalha.
Mas nem isso adiantou.
O p*u já tava duro.
Latejando.
Desde o momento que ela me chamou de filho da puta... e saiu da piscina com os s***s à mostra como se não devesse nada ao mundo.
E aquele beijo...
A p***a daquele beijo...
Encostei as mãos na beirada da janela e fechei os olhos com força.
Mas ela veio.
A imagem.
O som do gemido.
A textura dos m*****s na minha língua.
O gosto.
O cheiro.
Minha mão desceu antes que eu pensasse.
Abaixei a calça e a cueca, puxando pra baixo até a metade das coxas.
A respiração travou.
O toque começou.
Não foi gentil.
Não foi romântico.
Foi raivoso.
Urgente.
Como se eu estivesse punindo a mim mesmo por ter cedido.
Me apoiei na parede, a testa encostada, a mão envolta no meu p*u ereto, e os dentes cerrados pra não gemer alto demais.
— Porra... — sussurrei, entre os dentes.
Meu quadril se movia no ritmo da lembrança.
De como ela gemeu quando eu suguei os s***s dela.
De como ela me olhou com fome.
De como ela provocou...
E dominou.
E me perdeu no meio de mim mesmo.
Minha mão acelerou.
O suor escorria pela lombar.
A respiração saiu como um rosnado abafado.
— Victoria... — escapou da minha boca, como maldição.
Merda.
Gozei encostado na parede, com o corpo tremendo, a testa suada e a alma suja.
Soltei um grunhido rouco, baixo, como se tivesse acabado de matar um pedaço de mim.
Fiquei ali por minutos, respirando pesado, ainda com a calça abaixada, a mão suja e o gosto da derrota na língua.
E tudo o que pensei foi:
Isso não pode se repetir.
Isso. Não. Pode.
Mas uma voz dentro de mim riu.
Porque sabia.
Já era tarde demais.
Soltei o ar com força e me afastei da parede.
O corpo ainda tremia.
O p*u já amolecia, mas a culpa endurecia os pensamentos.
Olhei para minha mão suja.
Para a calça meio caída.
Para o reflexo distorcido no vidro da janela.
— Que merda... — murmurei, mais pra mim do que pro mundo.
Entrei no banheiro em silêncio.
As luzes eram brancas demais.
O chão de porcelanato gelado, c***l.
O espelho me devolveu a imagem de um homem despedaçado por dentro.
Um agente. Um infiltrado.
Um fraco.
Liguei o chuveiro no frio.
Dessa vez, nada de água quente reconfortante.
Eu precisava da dor.
Da rigidez.
Do gelo.
Entrei debaixo do jato e prendi o ar.
A água caiu como agulhas sobre a pele ainda quente do orgasmo.
Ardia.
E talvez eu merecesse isso.
Meus ombros estavam tensos.
As coxas ainda doloridas da tensão.
A nuca latejava.
Fechei os olhos.
Deixei a água bater.
Só isso.
Nenhum pensamento. Nenhum toque. Nenhuma imagem.
Mas o rosto dela veio.
Molhada.
Desafiadora.
De calcinha e s***s expostos.
— c*****o — rosnei, batendo a mão na parede gelada.
Saí do box sem secar direito.
Peguei a toalha às pressas e enrolei na cintura.
A mansão estava silenciosa.
O corredor escuro.
Entrei no quarto com a sensação de que tinha acabado de perder uma guerra.
Joguei o corpo na cama, de barriga pra cima.
O colchão afundou sob o peso da culpa.
O teto era liso.
Branco.
Vazio.
Como minha alma deveria estar.
Mas estava cheia.
Cheia dela.
Virei pro lado.
Depois pro outro.
Os lençóis estavam frios, mas minha pele queimava.
— Dorme, porra... — sussurrei, socando o travesseiro.
Mas não dava.
Não com o cheiro dela ainda grudado na minha memória.
Não com o gosto do beijo ainda nos meus lábios.
Não com o som da voz dela sussurrando "me domina" ecoando como um feitiço.
Fechei os olhos com força.
Engoli em seco.
E fiquei ali.
Com o corpo exausto.
E a alma acordada.
Inteira.
Lúcida.
Ferida.
Porque dormir seria o perdão.
E essa noite...
Eu não merecia perdão.
***
Acordei antes do sol nascer.
O sono veio tarde — arranhado, miserável e culposo. Mas o dever, esse nunca dorme.
Desci pra cozinha em silêncio. A mansão ainda parecia suspensa no tempo.
Luigi Savoia já estava ali.
Camisa social branca, suspensório marrom, um copo de café forte e os olhos de um homem que já matou tanto que perdeu a conta.
Ele me olhou como quem mede um animal. Depois, sorriu.
— Lancelloti. Dormiu bem?
— O suficiente — respondi, sem emoção.
Ele assentiu e puxou a cadeira à frente, indicando que eu devia sentar.
Sentei.
Ele tomou um gole do café e então soltou, como se estivesse falando de clima:
— Nunca deixe que alguém tire minha filha de mim. Nunca.
Se isso acontecer... eu corto a cabeça. A sua ou a de quem for.
Meu maxilar travou.
— Entendido.
Ele encostou o copo na mesa com força, fazendo o som ecoar.
— E outra coisa... de vez em quando, vou precisar de você pra uns servicinhos. Nada demais. Só presença. Intimidação. Lealdade.
Me encarou.
A tensão no ar era densa, carregada de veneno.
Mas eu assenti, mantendo o disfarce.
— Claro.
Claro, c*****o nenhum.
Assim que esse império desabar, a cabeça dele vai ser a primeira a rolar.
E se depender de mim... vai rolar sorrindo.
Mas aí...
O salto.
A p***a do salto ecoando pelo mármore da escada.
Me virei, mesmo contra minha vontade.
E então ela apareceu.
Victoria Savoia.
Vestido branco solto, leve, fino, caro como o pecado.
GUGG escrito na etiqueta — não que ela tenha deixado pra fora, mas eu conheço cada maldita grife desse mundo.
O tecido escorregava no corpo dela como se tivesse sido costurado pela luxúria.
O cabelo solto, com um brilho escandaloso.
A maquiagem leve. O perfume doce. O olhar de quem não lembra de nada.
Ou finge que não lembra.
Ela passou por mim com um meio sorriso nos lábios.
Sem me encarar. Sem corar. Sem hesitar.
Como se não tivesse gemido na minha boca horas antes.
Como se a calcinha molhada não tivesse grudado no meu cérebro.
Como se eu não tivesse me masturbado pensando nela.
Filha da p**a elegante.
— Bom dia, papà — disse, com aquela voz doce de veneno escorrendo devagar.
— Bom dia, minha princesa — Luigi respondeu com orgulho nos olhos.
Ela pegou um croissant, girou nos calcanhares e me ignorou de novo.
E talvez fosse melhor assim.
Talvez ignorar fosse mais seguro do que voltar praquela piscina.
Talvez fingir fosse a única forma de não explodir.
Mas o universo, claro, não queria paz.
Queria guerra.
A campainha tocou.
E como um filme r**m passando em câmera lenta... ele entrou.
Enzo.
O namorado.
O acessório de luxo.
O i****a de olhos verdes.
— Meu amor... — ele disse, caminhando em direção a ela.
E antes que eu pudesse piscar, o babaca já a puxava pela cintura, colando o corpo nela, beijando como se estivesse marcando território.
Mãos demais.
Apressadas demais.
Fingimento demais.
E foi aí.
Foi exatamente aí que ela me olhou.
Por cima do ombro dele.
Com a boca ainda colada na do namorado.
Com os olhos cravados nos meus.
Desgraçada.
Ela sabia.
Sabia o que estava fazendo.
E eu?
Eu só encarei.
Sem piscar.
Sem ceder.
Depois me virei.
E saí.
Porque naquele momento, eu tinha duas escolhas:
voltar e f***r ela na frente do pai e do namorado...
ou respirar.
Sobreviver.
Planejar.
E o jogo só estava começando.