Pré-visualização gratuita Noite de Núpcias
AURORA
Ygor chutou a porta do quarto com força e entrou comigo nos braços, enquanto o tecido pesado e deslumbrante do meu vestido de noiva se arrastava pelo chão de madeira escura.
Eu ainda estava elétrica, com o coração batendo no ritmo da música da nossa festa de casamento que tinha terminado há pouco.
Aquela noite deveria ser apenas nossa.
Mas havia algo no olhar de Ygor que fazia o meu coração bater diferente. Não era só desejo. Era posse, urgência, medo disfarçado de fome.
Ele me deitou no colchão macio e, sem perder um segundo, ficou sobre mim, prendendo meu corpo com o peso do dele enquanto seus olhos cinzentos desciam pelo meu rosto como se ele precisasse gravar cada pedaço de mim antes que o mundo tentasse nos arrancar um do outro outra vez.
— Você está tremendo — ele murmurou, a voz rouca, carregada pelo sotaque russo.
— Você também — respondi, tocando a lateral do rosto dele.
Ygor travou por um segundo, como se admitir qualquer fraqueza diante de mim fosse pior do que levar uma bala no peito. Suas mão subiram para o meu pescoço e ele me beijou.
Senti a língua quente dele invadir a minha, trazendo consigo o sabor forte e inebriante do licor que ele havia bebido na festa. O calor subiu instantaneamente pelas minhas pernas.
Os dedos dele desceram pelo meu vestido, impacientes, procurando os fechos nas minhas costas. Quando ele puxou o tecido com força suficiente para quase rasgá-lo, coloquei as mãos contra o peito dele e o empurrei de leve.
Ygor travou. Ele afastou apenas o suficiente para me encarar com os olhos cinzentos e completamente escurecidos pelo desejo.
— O que foi, printcessinha? — ele perguntou, seu sotaque russo saindo em um sussurro rouco e sexy.
Engoli em seco, sentindo o meu próprio desejo pulsar baixo no ventre. Ainda assim, sorri.
— Tem uma coisa que eu quero fazer antes.
Deslizei para fora dos braços dele e me levantei da cama. Sob o olhar fixo e faminto de Ygor, levei as mãos até as alças do vestido e as deixei escorrer pelos ombros. O tecido branco caiu devagar ao redor dos meus pés, revelando a lingerie rendada que eu tinha escolhido só para ele.
Ygor permaneceu imóvel.
Mas vi o peito dele subir e descer com mais força, enquanto me olhava de cima a baixo.
— Suka... — ele sussurrou, passando a língua pelo lábio inferior. — Você está querendo me matar na nossa noite de núpcias?
— Talvez.
Ele estendeu a mão para me puxar de volta, mas eu dei um passo para trás. O gesto fez algo perigoso acender no rosto dele.
— Ainda não, Sr. Ivankov.
Ygor bufou, jogando a cabeça para trás na cama e soltando uma risada curta e frustrada.
— p**a merda, Aurora... eu estou a dois segundos de perder a pouca paciência que me resta. — ele reclamou, ajustando-se nos lençóis.
— Ótimo.
Caminhei até o closet, abri uma das caixas organizadoras e peguei o chicote preto de couro. Quando voltei para o quarto, Ygor já não sorria. Ele me observava com uma intensidade pesada, quase c***l, como se a lembrança daquele objeto tivesse aberto uma porta antiga entre nós.
Aproximei-me devagar, subi na cama e deslizei as tiras de couro pela linha afiada do maxilar dele. Tentei parecer firme, provocante, dona da situação, mas a verdade era que o olhar de Ygor me atravessava de um jeito que deixava todas as minhas certezas frágeis.
— Você se comportou m*l durante a festa — murmurei. — E agora vai receber sua punição.
Ygor inclinou a cabeça, permitindo o toque do couro em sua pele, mas o sorriso que surgiu em seus lábios não tinha nada de submisso.
— E qual seria a minha punição, minha pequena?
Aproximei minha boca do ouvido dele.
— Vou trancar você na minha cela dourada e fazer você lembrar como é ser o prisioneiro da história.
Por um segundo, o silêncio ficou pesado demais.
Mas então, em um movimento rápido como um bote, ele me puxou pela cintura, colando o meu corpo ao seu com uma força que me fez perder o ar.
ESTALO
Ele deu um tapa sonoro em minha b***a, me fazendo soltar um gemido abafado.
— Você quer me dominar? — ele sussurrou contra minha boca. — Depois de tudo que eu precisei fazer para te ter aqui, vestida de noiva, na minha cama?
Meu corpo inteiro respondeu àquela voz antes que eu pudesse fingir qualquer controle.
— Talvez eu queira lembrar você de que eu também posso mandar — provoquei, mas minha voz saiu mais fraca do que eu pretendia.
Ygor arrancou o chicote da minha mão com uma facilidade ridícula e o jogou no chão.
— Então me obrigue.