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A FRAQUEZA DO URSO

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Sinopse

Aos doze anos, Maya tem certeza de uma coisa: um dia vai se casar com Leonardo, o homem que todos conhecem como Urso.Ela manda bolos, escreve cartas, espera por ele na praça e não perde uma oportunidade de declarar, com a inocência de uma criança, que aquele homem será seu marido.

Leonardo acha graça.Ou tenta achar.Porque Maya é apenas uma menina, e ele sabe que aquela paixão não passa de uma fantasia infantil. Então ele mantém distância, mesmo quando os moradores de Santo Amaro transformam as declarações dela em motivo de brincadeira.

O tempo passa.

E Maya cresce.Aos dezoito, a menina que um dia corria atrás de Urso agora faz de tudo para não olhar na direção dele. Não porque deixou de sentir. Mas porque morreria de vergonha se alguém lembrasse das cartas, dos bolos e de todas as promessas absurdas que fazia quando era criança.

Para Leonardo, porém, a mudança é inexplicável. A atenção que antes o incomodava desaparece. E, pela primeira vez, ele percebe que sente falta dela.O que ele não esperava era começar a procurar por Maya com os olhos, sentir ciúmes quando outro homem se aproxima e descobrir que aquela menina que ele sempre enxergou como uma criança agora é a única pessoa capaz de fazê-lo perder o controle. Mas existe alguém que não aceita essa aproximação.

Alguém que esteve dentro da vida de Maya durante anos e que começa a revelar uma face que ninguém conhecia. Porque no Santo Amaro, todo mundo sabe que existe uma fraqueza capaz de derrubar até o homem mais temido. E a do Urso sempre foi ela.

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01
Leonardo Narrando Eu estou encostado na minha moto, de braços cruzados, observando o movimento de Santo Amaro começar. Ainda é cedo, mas o morro já está acordado. Gente descendo para trabalhar, criança correndo para a escola, comércio abrindo, moto subindo e descendo as vielas. Eu conheço praticamente todo mundo por aqui e, mesmo quando não conheço, sei reconhecer quem é de fora. É assim que funciona. Aqui, eu preciso estar atento o tempo inteiro. — Você vai ficar aí com essa cara fechada até quando? — Pedroca pergunta ao meu lado. Olho para ele. — Que cara? Ele aponta para o meu rosto. — Essa aí. De quem quer matar alguém antes das oito da manhã. — Essa é minha cara normal. — Exatamente. Reviro os olhos e volto a olhar para a rua. Pedroca começa a falar alguma coisa sobre o movimento da noite anterior, mas eu paro de prestar atenção quando escuto uma voz que conheço muito bem. — LÉO! Fecho os olhos por um segundo. Não. Não pode ser. Olho para o outro lado da rua e encontro Maya. Doze anos. Uniforme escolar, mochila nas costas e os cabelos cacheados presos de qualquer jeito. Ela está andando ao lado da mãe, mas parece esquecer completamente que está indo para a escola no momento em que me vê. Ela abre aquele sorriso enorme. — Bom dia! Levanto a mão. — Bom dia, Maya. Ela vem na minha direção. A mãe continua andando por alguns passos até perceber que a filha ficou para trás. — Maya! — Já vou, mãe! Ela para na minha frente. — Você vai ficar aqui hoje? — Vou. — Até de tarde? — Provavelmente. Ela sorri. — Que bom. Franzo a testa. — Por quê? — Porque eu gosto quando você fica. Pedroca solta uma risada atrás de mim. Olho para ele de lado. — Não começa. Maya olha para Pedroca. — O que foi? — Nada, não — ele responde, segurando o sorriso. Ela volta a olhar para mim. — Você está bonito hoje. Eu fico alguns segundos sem saber o que responder. — Obrigado. — De nada. Ela continua parada. — Você não vai para a escola? — pergunto. — Vou. — Então vai. — Já vou. Ela não vai. Continua me olhando. Eu olho para a mãe dela, que está parada alguns metros à frente, claramente esperando pela filha. — Maya. — Oi? — Sua mãe está esperando. Ela olha para trás. Depois olha para mim novamente. — Eu sei. — Então vai. Ela finalmente se vira. Dou um suspiro aliviado. Até ela parar de novo. — Léo? — O quê? Ela coloca a mochila melhor no ombro. — Quando eu crescer... Já sei que vem alguma coisa. — O quê? Ela sorri. — Eu vou casar com você. Eu simplesmente fico olhando para ela. Acho que até esqueço de respirar. Pedroca fica em silêncio por dois segundos. Depois começa a rir. Maya olha para ele, sem entender. — Que foi? Eu finalmente encontro a voz. — O quê? Ela repete, completamente séria: — Eu vou casar com você. A mãe dela leva a mão à cabeça. — MENINAAAAAAA! Maya se vira. — Que foi, mãe? — Você está maluca? — Não. — Então por que você está falando que vai casar com o Leonardo? Ela me aponta. — Porque eu vou. Eu olho para Pedroca. Pedroca olha para mim. Depois começa a rir ainda mais. — Para de rir — falo. — Eu não consigo. A mãe de Maya vem até nós e segura a filha pelo braço. — Você tem doze anos! — Eu sei. — Ele é adulto! Maya olha para mim. Depois olha para a mãe. — Quando eu crescer, eu também vou ser adulta. Eu aperto os lábios para não rir. A mãe dela percebe. — Não ri, Leonardo! — Eu não estou rindo. — Está sim! Maya aponta para mim. — Eu sabia. — Sabia o quê? — Que você gosta de mim. Eu quase engasgo. — Maya, pelo amor de Deus... Pedroca vira de costas. Esse desgraçado está rindo. — Eu nunca disse isso. — Mas você sorriu. — Eu sorri porque você é engraçada. Ela pensa por alguns segundos. — Então você gosta de mim. — Não foi isso que eu falei. — Mas vai gostar. A mãe dela fecha os olhos. — Eu vou enlouquecer. Eu passo a mão pela nuca. Não sei lidar com isso. Não sei mesmo. Maya é uma criança. E eu não tenho absolutamente nenhuma intenção de alimentar essa ideia. — Maya, você precisa ir para a escola. — Eu sei. — Então vai. Ela começa a andar com a mãe. Antes de virar a esquina, porém, olha para trás. — Tchau, Urso! — Tchau. — Eu vou casar com você! A mãe dela puxa a menina pelo braço. — MAYA! Ela começa a rir enquanto corre. Eu fico olhando até as duas desaparecerem. Pedroca aparece novamente ao meu lado. — Então... — Não. — Eu nem falei nada. — Mas eu sei o que você vai falar. — Ela é apaixonada por você. — Ela tem doze anos. — Eu sei. — É uma criança. — Eu sei, Leonardo. Olho sério para ele. — Então para de graça. Ele levanta as mãos. — Tá bom. Ficamos alguns segundos em silêncio. Até ele começar a rir novamente. — O que foi agora? — Nada. — Pedroca. — Só estou imaginando você entrando na igreja. — Vai tomar no cu. Ele gargalha. Eu balanço a cabeça e volto a olhar para a rua. Maya é assim. Uma criança. Inocente. Falante. Sem filtro nenhum. E eu tenho certeza de que isso vai passar. Um dia ela vai crescer, conhecer alguém da idade dela e esquecer essa história de casamento. É o normal. Pelo menos é o que eu penso.

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