Pantera narrando Antes que alguém ache que eu acordei ontem, deixa eu deixar claro: eu sempre soube quem o Ciro virou. Só nunca precisei dizer em voz alta. Aqui no Cruzeiro, o silêncio fala mais que tiro. E hoje o morro tá quieto demais. Quieto de quem sente a chuva chegando antes da primeira gota. Eu li o recado dele sem precisar ouvir metade. Sociedade. Escada. Andar de cima. Papinho premium pra quem quer te botar no bolso achando que é parceria. Ciro sempre foi assim: cabeça rápida, coração desligado. Enquanto eu aprendia a segurar território sem deixar criança no fogo cruzado, ele tava aprendendo a tratar gente como ativo. Planilha. Custo. Lucro. Pra ele, morro é localização estratégica. Pra mim, é chão onde eu piso todo dia. Ele acha que eu sou previsível. Que meu código é fraqueza.

