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Pantera - O dono do Cruzeiro

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Sinopse

No alto do Morro do Cruzeiro, onde a lei é feita na ponta da pistola e a justiça é decidida no silêncio dos becos, Ayla vive entre seringas e esperanças. Estudante de enfermagem, ela jura que nunca se envolveria com o crime, até cruzar o olhar de Pantera, o chefe da facção mais temida do estado. Frio, letal e irresistivelmente carismático, ele carrega no corpo cicatrizes de guerra e nos olhos o peso de segredos que poderiam derrubar impérios. O que começa com um resgate sangrento vira um vício, Ayla mergulha num mundo onde o amor é uma arma e a confiança, uma sentença de morte, enquanto ela tenta salvar vidas no posto de saúde, Pantera decide quem vive ou morre com um aceno de cabeça, mas o que ninguém sabe é que o passado deles está entrelaçado por uma tragédia enterrada, e quando a verdade vier à tona, o morro vai tremer. Traições dentro da própria facção, execuções filmadas, alianças com inimigos e um plano de fuga que pode custar a vida de todos que ela ama.

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O som que racha o céu
Ayla Narrando Meu nome é Ayla Santana, tenho vinte e dois anos e passo mais tempo segurando vidas com as mãos do que deveria para alguém da minha idade. Sou estudante de enfermagem, filha de uma mulher que trabalha dobrado e neta de um homem que sempre acreditou que o morro podia ser mais do que manchete policial. Cresci ouvindo que o Cruzeiro é duro, mas não é mau; que quem é mau são as escolhas que algumas pessoas fazem pra não morrer de fome. Eu sempre jurei que faria escolhas diferentes. E talvez seja esse juramento que me mantém acordada até tarde, estudando, limpando feridas no posto de saúde, carregando caixas de soro mais pesadas que meus ombros finos. Talvez seja isso que me faz andar rápido pelas vielas, como se o simples movimento pudesse impedir que a violência me alcançasse. Mas o morro… o morro sempre cobra. Naquela noite, eu só queria chegar em casa. Tinha passado do meu horário no estágio, como sempre, e as luzes da rua piscavam com aquela teimosia elétrica que dá a impressão de que até a cidade respira com dificuldade. Eu ajeitei a mochila nas costas e comecei a subir a ladeira estreita, ouvindo o rangido distante de alguma moto subindo a mil. Foi aí que o céu… rasgou. O primeiro tiro ecoou como uma explosão dentro do meu peito. O segundo veio tão rápido que eu instintivamente me abaixei, o coração correndo mais que minhas pernas jamais correriam. O barulho se multiplicou, estourando entre as paredes apertadas dos becos, ricocheteando nos paralelepípedos, fazendo meu corpo inteiro vibrar. — Droga… não agora — murmurei, com a respiração presa e o pânico subindo pela garganta. Eu me joguei atrás de um muro grafitado, sentindo o cheiro de tinta velha misturado ao das frituras do bar do Seu Tuca, que fechava tarde demais. As vozes começaram: gritos, ordens, passos correndo. Um tiroteio no Cruzeiro nunca é só um tiroteio. É um lembrete. Eu pensei na minha mãe. Pensei nos meus colegas do posto. Pensei no quão pequena eu era diante daquele inferno. Mas, principalmente, pensei que não poderia morrer ali, com os livros de anatomia ainda rabiscados, com a vida pela metade. O estampido mais próximo me arrancou do torpor. Alguma coisa, alguém, bateu contra o chão alguns metros à frente. Eu vi uma sombra cair, ouvi um gemido abafado. E, antes que eu pudesse controlar meu corpo, minhas pernas se moveram sozinhas. Era impulso, era instinto, era o maldito reflexo de quem nasceu para cuidar. Corri até a figura caída, me abaixando rápido. O cheiro de pólvora ainda estava no ar quando minhas mãos encontraram sangue quente. — Ei… ei, olha pra mim! — sussurrei, tentando ver o rosto dele. Ele levantou o olhar. E naquele segundo, naquele mísero segundo, eu não sabia ainda que estava encarando Pantera, o homem que mandava no morro, o dono do Cruzeiro, o tipo de pessoa que minha mãe dizia para eu nunca, jamais, nem sequer pensar em me aproximar. Tudo que eu sabia era: Ele estava sangrando. E eu não conseguia deixar ele morrer. O sangue escorria pelos meus dedos rápido demais. Quente, espesso… vivo. Ele pressionava o abdômen com a mão, mas a camisa preta empapada mostrava que estava perdendo a luta. — Segura firme… — falei, mesmo sem saber se ele estava ouvindo. Os olhos dele não eram de alguém acostumado a pedir ajuda. Eram olhos de quem comanda, de quem não se curva, de quem aprendeu a sobreviver nas sombras. Mas ali, caído no chão, respirando difícil, o orgulho não servia pra nada. — Vou te levantar. Aguenta só um pouco. Assim que tentei apoiar seu ombro, ele segurou meu pulso com força surpreendente para alguém quase desfalecido. — Não… aí não — murmurou, a voz grave, rouca, como se tivesse areia na garganta. — Fica baixa. E então eu ouvi. Passos. Pesados, rápidos, decididos. Os homens armados desciam a viela como caçadores atrás de uma presa ferida. E eu estava ajoelhada bem ao lado dela. Não sei de onde tirei coragem, talvez tenha sido medo puro, mas puxei o corpo dele comigo para trás de um carro velho estacionado. Podia sentir seu peso, o cheiro metálico do sangue misturado ao perfume amadeirado que grudava nas roupas dele. — Você vai morrer se continuar perdendo sangue assim — sussurrei. — Não vou morrer hoje — respondeu, mesmo arfando. — Me escuta… não olha pra eles. Foi instintivo, mas obedeci. Os tiros recomeçaram, secos, duros, estourando estilhaços do muro acima da nossa cabeça. Um deles acertou o capo do carro, fazendo o metal vibrar como se tivesse vida própria. Eu pressionei a mão sobre o ferimento dele e senti o corpo tenso contrair de dor. — Isso vai doer. — Já tô doendo — ele retrucou, como se ainda tivesse espaço pra sarcasmo. Eu deveria estar apavorada. E estava. Mas alguma coisa naquela presença, mesmo ferido, mesmo vulnerável, transmitia uma força estranha, quase selvagem. Eu não sabia quem ele era, mas sabia que ninguém corria atrás de alguém assim por pouca coisa. Os passos dos homens ficaram mais próximos. Muito próximos. — Se eles me acharem, você finge que não me conhece — ele disse, com a respiração falhada. — Sai correndo. — Eu não vou te deixar aqui. — Vai. — Os olhos dele encontraram os meus, intensos demais, perigosos demais. — Promete. Eu engoli seco. Prometer significava aceitar que ele talvez não sobreviveria. Antes que eu respondesse, duas silhuetas apareceram no início da viela, apontando armas para o escuro. Um deles chutou uma porta, o outro iluminou o chão com a lanterna. — Procurando quem, seus merda? — gritou alguém mais acima. Um novo tiroteio explodiu. A confusão deu a brecha que eu precisava. Apoiei o braço dele sobre meus ombros e, com a força que só o desespero dá, o puxei para a lateral do beco, atrás de uma pilha de caixas plásticas. — Por que você tá fazendo isso? — ele murmurou, sentindo a vertigem. — Porque eu não sei virar as costas pra alguém sangrando. — Mesmo que esse alguém seja um demônio? — Mesmo assim. Ele soltou um riso fraco, quase um sopro. — Você não sabe quem eu sou. E era verdade. Eu não sabia. Mas algo no meu peito dizia que, a partir daquela noite, eu não conseguiria esquecer nunca mais. Os tiros diminuíram. As vozes se afastaram. O coração dele desacelerou tanto que me deu medo. — Ei, fica comigo. O que eu faço? — perguntei, apertando o ferimento com mais força. Ele abriu os olhos devagar, escuros como a noite que engolia o morro. — Nome… — sussurrei. — Me diz seu nome, pra eu não falar com um desconhecido enquanto tento te salvar. Os lábios dele se curvaram num meio sorriso cansado. — Me chamam de… Pantera. E naquele instante — só naquele instante — tudo dentro de mim gelou. Eu sabia exatamente quem era Pantera. E sabia que minha vida acabara de mudar pra sempre.

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